Contra fatos há argumentos.
Informando a população ondestanesa desde sempre, seguindo as leis e os bons costumes desta gloriosa terra escolhida por Deus. Nosso Deus, é claro: deixe os seus do lado de fora ao pedir visto para cá. Para os que a gente precisa desenhar, este é um jornal satírico.
Baddo Secco dará alimento granulado feito a partir de itens perto do vencimento a famílias carentes
Prefeitura fez parceria com empresa que doará composto granulado. Uso de produto em vez de alimentos tradicionais divide especialistas. A começar pelo fato de se chamar de alimento algo que não se parece com um.
Por Marques Acanagem
Biscoito feito com Farinata, que é a base do produto que será doado à Prefeitura de Papillon — Foto: Sandra Quevedo/Divulgação
A gestão Baddo Secco (POD) vai distribuir um composto para famílias em situação de carência alimentar e que procurem os equipamentos sociais de Papillon. O produto em formato granulado será doado pela empresa Plataforma Refu2go, que fabrica o composto a partir de alimentos que estão perto da data de vencimento e fora do padrão de venda em supermercados.
A Prefeitura afirma que o produto é feito com itens de qualidade e que a medida evita o desperdício. A ação faz parte da Política Municipal de Erradicação da Fome, lançada pelo prefeito nesta semana. A distribuição será feita nos centros de assistência social e em cestas básicas para as famílias carentes.
Relembre: prefeitura de metrópole brasileira alimenta seus desassistidos com dignidade.
Especialistas ouvidos pela GO divergem sobre a medida. Parte deles faz ressalvas ou mesmo critica o uso do produto em vez de alimentos tradicionais. É o caso do nutricionista Gastão D’amato, pesquisador da Uniond, que compara o produto a uma “ração” sem sabor. “Isso descontextualiza totalmente o caráter do que é comer. Nunca vi alguém pedir nhoque de isopor na Famiglia Macini. Comer é um ato que vai além de suprir nutrientes”, afirma. “A gente não coloca só a comida na boca, mastiga e engole. Somos seres humanos, e não ruminantes: a comida é um evento social, envolve a autoimagem das pessoas“
Ele explica que a alimentação precisa trabalhar os sentidos e que é uma prática também ligada à cultura. Para D’amato, o uso de granulados pode afetar a autoestima da população submetida a esse tipo de alimento. Ele defende o uso apenas em casos emergenciais, quando não for possível adotar outras políticas de acesso a alimentos. Ainda segundo o especialista, bancos de doações de alimentos já fazem trabalhos de limpeza e corte de itens que estão por vencer e fazem a distribuição sem descaracterizar os produtos. Empresas em Papillon já doam alimentos perto da data de vencimento. A novidade é o formato granulado.
A nutricionista Sophie Zanall afirma que a opção pelo granulado é válida e que esse tipo de alimento garante bom aporte nutricional. “É uma forma de agregar alimentos e fornecer nutrientes para aqueles que têm pouco acesso ou vivem em situação de fome. Não é feio comer comida feia, feio é descartar comida bonita. Entre jogar fora uma pizza e comer farelos ultraprocessados, quem tem fome escolhe o quê? “. Ela opina que “jogar fora alimentos, quando há pessoas passando fome, não faz o menor sentido. Estamos viciados nesta cultura capitalista de fetichização de alimentos, com nomes pomposos nos menus dos restaurantes e incontáveis fotos de pratos nas redes sociais, e precisamos superar isso dissociando o interesse público dos vãos apelos visuais de alimentos comuns“.
Sophie defende que o fornecimento do alimento deve ser acompanhado de uma fiscalização para garantir que ele chegue à população em boas condições de consumo. “É preciso ter qualidade, segurança, boa prática de fabricação e vigilância de fato, para saber se os nutrientes estão realmente presentes, sejam eles carboidrato, proteína, gordura, fibra, vitaminas ou minerais.” Sobre a aparência, Zanall diz considerar importante e ressalta que o granulado pode ser usado de base para fabricar outros alimentos. Alega que as pessoas são cheias de contradições: se entopem de energético e de vape nas baladas, mas querem consumir alimentos sem glúten, veganos e cheios de positividade, coletados em plantações de pequenos produtores.
Em sua página no Facebook, a vereadora Sarita Lina Ferro (PPO) afirmou que protocolou um requerimento nas secretarias envolvidas para buscar mais detalhes sobre a fabricação e a distribuição do alimento.
“É curioso a gestão Baddo Secco propor essa política depois de alegar que reduziu itens da merenda escolar para combater a obesidade. Assim como diminuiu a aquisição de produtos orgânicos distribuídos nas escolas. Segundo dados do Ministério da Saúde e do Inquérito de Saúde da Capital (ISA Capital), não há prevalência de desnutrição em Papillon”, diz.
Análise: Partido do Ondestão Democrático e Partido Popular do Ondestão são duas faces da mesma moeda?
Produtos
A empresa Plataforma Refu2go defende que o produto pode servir para fabricar alimentos, pães, snacks, bolos, massas e sopas, entre outros. O granulado será feito a partir de alimentos como batata e banana, segundo a empresa. A fome é uma grande mentira, só passa por ela quem insiste em dificultar a própria vida buscando a tal dignidade, afirma em comunicado.
De acordo com Eugenia Kleiehersteller, presidente da Plataforma Refu2go, os alimentos serão processados com um produto granulado chamado pela empresa de Farinata. Ele será distribuído em pó, mas também poderá ser combinado com outros ingredientes, de acordo com a necessidade de um grupo específico ao qual será direcionado. “Então teremos um estoque de carboidratos e um estoque de fibra. Se o público for de criança, produziremos um alimento final que seja apetitoso e nutritivo a elas. Talvez até lancemos uma espécie de McLanche feliz nosso, com bonecas de espiga de milho de brinde pras garotas e arminhas de madeira pros meninos“, disse.
Procurada, a Prefeitura de Papillon disse que a política de distribuição dos alimentos ainda está “sendo elaborada” e “seguirá as necessidades e os anseios da população”. A princípio, não há possibilidade de o produto ser distribuído em escolas e creches como merenda escolar. Já estudam sem pagar nada, com os impostos do contribuinte, e ainda querem mais comida?, disseram como pergunta retórica, em comunicado.
Segundo Kleiehersteller, a parceria vai permitir que a Prefeitura oriente mercados e indústrias da cidade a levarem alimentos para endereços fixos fornecidos pela empresa. “Era só o que faltava: querer que a gente fosse buscar esses refugos para o devido rebranding.”
Os nutricionistas ouvidos pelo GO afirmam que somente com as informações disponíveis sobre o produto no site da empresa Plataforma Refu2go não é possível detalhar e comentar a sua composição nutricional. O site também não informa sobre testes de qualidade nutricional do produto.
Para a nutricionista Natasha Silva, o cidadão tem o direito de se alimentar com comida na sua “forma natural”. “Acho que está sendo feito um produto para suprir uma necessidade que não sabemos se de fato está sendo suprida e esquecendo o direito do cidadão de ter uma alimentação da forma natural através de frutas, legumes e verduras. Qual é o próximo passo, mandar os excluídos ruminarem nos terrenos baldios?“, afirma.
Também nutricionista, Bia Neri opinou que o uso de granulado deve ocorrer apenas de forma emergencial, e não de maneira permanente e institucionalizada. “Deve-se dar preferência aos alimentos tradicionais”, resume.
Ondestão lança programa de moradia inusitado com um toque quase oriental
Em resposta ao galopante aumento dos aluguéis de grandes centros como Papillon, governo inaugura política pública para alugar caixas grandes de transporte de cães para pessoas carentes morarem. Menos gastos com licitações e com caprichos esquerdistas da dignidade humana: veja como isso pode ser bom para você.
Na distante comunidade de Carrapicho, quase às margens da Rodovia O-15, já é possível ver pilhas e pilhas de caixas de transporte de cães senso usadas como moradias. Disputam espaço com o mato alto, o zunido ininterrupto dos veículos, e os que decidem sublocar suas caixas para terceiros, geralmente obtidas por fraudes no cadastro, por aluguéis exorbitantes. Um deles falou com nossa reportagem, sob condição de anonimato, se identificando apenas como “Dida”: “Aí, doutor. Cada um se vira como pode. Governo deu mó dentro, rapá. Qualquer coisa de errado dentro dos lares, nossos parças descobrem na hora. Semana passada mesmo, demos um corretivo em um morador chegando alcoolizado, querendo bater na mulher.” Perguntado se cabe mais de uma pessoa por caixa, respondeu rindo: “Se coração de mãe é espaçoso, imagina o de mulher criada como bicho, doutor. Nós somos o estado aqui”.
Como os imóveis, tecnicamente, não são construções, não pagam IPTU nem alvará, mas podem ser retirados a qualquer momento da região, caso o município ou a união decretem reintegração de posse. “Se os japoneses fazem, porque não podemos? Precisamos abandonar esse complexo de vira-lata”, vocifera o prefeito de Papillon, Marlon Baddo Secco, questionado em coletiva sobre a legalidade desta medida. “Pra quê gastar dinheiro do município com moradias baratas, de tijolos e telhas, abarrotadas de traficante, rameira e o chorume da sociedade? Estamos dando é até bastante, se querem saber.”
O governo Siqueira decidiu ampliar, de 8 para 12 mil, o teto de casas de transporte disponíveis para as famílias que podem financiar um imóvel pelo programa Minha Caixa, Minha Vida.
- Na quinta-feira (3), o presidente assinou um decreto que destina verbas do Fundo Social do Pré-Sal para custear a faixa 3 do programa, voltadas a famílias que ganham de R$ 4 mil a R$ 8 mil.
- 🏡 Com isso, segundo o governo, o orçamento que já tinha sido reservado para o Minha Caixa, Minha Vida poderá ser usado em uma faixa mais alta, que não existia até agora.
- 🏡 O blog do Barroso tinha antecipado essa movimentação em março, mas ainda não havia data para concretizar a mudança.
O decreto foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (4) e, com isso, já está em vigor. O governo ainda não informou, no entanto, quando as novas linhas de financiamento estarão disponíveis.
Apesar de ter feito um evento em Papillon, fora do Palácio de Éris, para divulgar os resultados do atual mandato, o governo não chegou a detalhar essa expansão durante a cerimônia.

Veja abaixo o que já se sabe sobre essa Faixa 5 do Minha Caixa, Minha Vida:
- Renda familiar: de $0 a $300
- Valor do imóvel: até R$ 2 mil
- Financiamento: em até 120 meses (10 anos)
- Sem subsídio do governo: ou seja, a família paga o valor integral do imóvel
O governo espera beneficiar 120 mil famílias com essa linha adicional de financiamento. Segundo o Ministério das Cidades, os juros projetados de 2,5% ao mês estão abaixo dos praticados no mercado.
A reportagem conversou com alguns moradores de Carrapicho. Pelos corredores por entre as centenas de caixas empilhadas, muitos gemidos de dormências insuportáveis nas extremidades, já que é difícil se mexer dentro delas. Uma mulher nos aborda, como que fugindo do marido, e nos revela que os moradores que se mexem muito durante o sono são vítimas frequentes de linchamentos. Dois homens conversando nos revelam que queriam empilhar as caixas no estacionamento do CEASA, que é para nem terem trabalho de a Refu2go transportar comida até nós. “Imagine, o fedor, a imundície que seria morar lá”, se indigna um deles.
Dida ainda nos revela práticas típicas de milícias, como a oferta de proteção, de gato em TV a cabo, de fornecimento precário de água, entre outras benfeitorias. “Nunca foi mais barato ser pobre em Ondestão, doutor. Melhor que isso, nem morrendo: enterros são caros, e a cidade não renovou a licitação com a empresa que enterrava os nossos. Nem queira saber o cheiro de onde desovamos nossos amigos e familiares.”
(com agências nacionais)
Deixe um comentário