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Gazeta de Ondestão [6]

Covid-19: ‘A BandAid Health deixou minha mãe morrer’, diz tradutor

15/10/2021 07h00

O tradutor e filologista Norberto Uemura, 60, afirma que médicos da unidade hospitalar da BandAid Health localizada no bairro do Casulo, em Papillon, se recusaram a manter o tratamento de sua mãe. Vítima da covid-19, a aposentada Celinha das Dores morreu no dia 23 de março deste ano, aos 88 anos de idade.

“O hospital recusava-se a continuar a mantê-la em tratamento, alegando que ela já era muito idosa. Deixaram minha mãe morrer”, diz Uemura (leia seu relato completo mais abaixo).

A BandAid Health afirma que “o tratamento prescrito à senhora Celinha das Dores foi feito em comum acordo com familiares.” (leia a nota mais abaixo).

Memes nas redes sociais ironizando os argumentos da BandAid Health para recusar tratamentos. Repare no terceiro braço da moça, talvez tentando um reimplante após o açougueiro do bairro se recusar a dar alguns pontos.

Investigações sobre a BandAid Health

No dia 28 de setembro, a advogada Gina Rabelo, representante legal de 18 médicos que fizeram denúncias contra a BandAid Health, disse em depoimento à Audiência da Covid, que a operadora de saúde implementou uma política interna de “coerção”, e que os profissionais de saúde acabaram receitando o chamado “kit covid” por medo de sofrerem retaliações, inclusive demissão.

A advogada também levantou a suspeita de que a BandAid Health implementou uma política de deixar os mais idosos perecerem da doença. A prática foi resumida numa frase: “Óbito também é alta”.

O Ministério Público de Ondestão criou uma força-tarefa para investigar as denúncias contra a BandAid Health. A Câmara Municipal de Papillon instalou uma comissão que tem o objetivo de apurar supostas irregularidades fiscais e violações éticas da BandAid Health na capital, como uma suspeita de subnotificação do número de casos de contaminação de covid-19 e de óbitos causados pela doença.

Relato de Norberto Uemura

“Minha mãe, Celinha das Dores, dona de casa, vítima de covid-19, morreu em um hospital da rede BandAid Health, no dia 23 de março de 2021. Ao menos em dois momentos, o hospital, por meio de seus médicos, afirmou que não valeria a pena mantê-la em tratamento, alegando que seria muito idosa. Isso quando toda a milionária propaganda da BandAid Health é voltada para o atendimento, ou suposto atendimento, de pessoas idosas. Alegam buscar tantas formas de facilitar a vida de pessoas tão vividas assim trazendo inúmeras facilidades em seus corredores para minimizar o sofrimento delas, como guichês onde as financeiras oferecem empréstimos consignados e carnês de títulos de capitalização do OndeCAP.

Com suspeitas de contaminação por covid, minha mãe recebeu o “kit covid” em casa, sem passar por qualquer consulta. Porém, eu a encaminhei para o hospital antes de esses medicamentos ineficazes chegarem. Minha irmã, Karen Uemura, havia tentado antes uma consulta por telemedicina, mas desistiu ao constatar que apenas atendentes —e nunca um médico—, ouviam os relatos dos pacientes e, em seguida, enviavam por meio de um motoboy os tais remédios.

No dia 20 de fevereiro (sábado), no início da madrugada, minha mãe deu entrada na unidade da BandAid Health no bairro da Marola. A primeira coisa que eu disse para o médico que a atendeu foi que não lhe desse de forma alguma hidroxicloroquina ou outro desses medicamentos ineficazes. Ele confirmou que esses remédios faziam parte do protocolo do hospital, mas disse que não havia prescrito. Tive de confiar na sua fala.

Paciente estava amarrada à cama

No mesmo dia, minha mãe foi removida para a unidade da BandAid Health no Casulo. No quarto dia de sua internação, minha outra irmã, Loreta Uemura, foi visitá-la. Encontrou minha mãe amarrada à uma cama. Achamos aquilo um absurdo. Os médicos do hospital se justificaram dizendo “ser necessário” o procedimento porque minha mãe estaria “arrancando a máscara de proteção com as mãos”. Disseram-nos para pensarmos naquilo como um cinto de segurança.

Após essas explicações, uma médica, identificada como Nadine, disse que minha mãe tinha “coração de 90 anos, fígado de 90 anos, e rim de 90 anos”. Minha mãe estaria tendo uma piora e, segundo ela, em casos de pessoas com essa idade a intubação não é a melhor solução, “pois não tem o que fazer, e ela não se recupera mais. Quem tentaria trocar o motor de um Marea turbo, certo?”.

As chances de minha mãe voltar a ser como era seriam muito pequenas, sentenciou a médica. A idade biológica da minha mãe era 87 anos. Por um erro no cartório, ela foi registrada como se tivesse nascido dois anos antes. E ainda por cima, o hospital nos acusou de ter fraudado a certidão de nascimento dela, para que ela conseguisse furar a fila para receber as primeiras doses da vacina da Astra-Zeneca. “Deviam ter vergonha na cara: essa não é a melhor hora pra furar a fila, por ser preferencial.”, disse Nadine.

A mesma médica comentou que minha mãe tinha uma “ventania no coração”. Teria problemas cardíacos. Minha irmã Loreta respondeu que ela nunca teve sopro no coração, que fazia exames periodicamente e nunca havia sido detectado nada. Jamais tivemos conhecimento de que ela apresentasse qualquer doença do coração.

Tememos que possam ter dado hidroxicloroquina ou outros medicamentos inadequados para ela no hospital, ocasionando então um problema cardíaco. A contaminação de minha mãe pelo Covid era recente e estranhamos também aquela piora tão rápida. Esperamos que não tenha sido pelo uso da hidroxicloroquina. Mas, diante de inúmeras denúncias e das reiteradas práticas da BandAid Health, achamos importante que esse fato possa ser investigado e esclarecido.

“Cuidados paliativos”

Como o quadro de minha mãe teria piorado, a médica disse para minhas duas irmãs no hospital que seria necessária uma decisão da família pela intubação ou o início de cuidados paliativos, e que essa decisão precisava ser tomada em poucos minutos. Ela sugeria os cuidados paliativos, que seriam aplicados em uma outra unidade da BandAid Health.

Minhas irmãs que lá estavam, e eu e outro irmão, por telefone, decidimos pela intubação, pois minha mãe não tinha comorbidades, era muito ativa, estava bastante lúcida e gostava muito de viver.

Logo depois disso, a médica e a equipe de enfermagem entraram no quarto de minha mãe. Minhas irmãs ainda conversaram com ela, totalmente consciente naquele momento. Daí em diante, por um longo tempo, foram muitas as entradas e saídas de médicos e membros da equipe de enfermagem no quarto de minha mãe. Minhas irmãs e uma sobrinha, Luiza, ficaram no saguão do elevador, de onde tinham visão do quarto e escutavam as conversas. Luiza ouviu um médico questionar: “Para que intubar uma pessoa de 90 anos?”, enquanto colocava uma nota de vinte reais para comprar um maço de Marlboro, ao lado de um pacote de Kleenex, na máquina de venda automática do corredor.

Visivelmente a contragosto, iniciaram a intubação. Ao final, a médica comentou que houve muita dificuldade para o procedimento. Informaram, enfim, que minha mãe seria transferida para a UTI. Infelizmente, isso não ocorreu. No dia seguinte, recebemos um telefonema para irmos urgentemente ao hospital. Quando minhas irmãs lá chegaram, não encontraram minha mãe. Tentaram impedi-las, mas elas saíram procurando pelo prédio do hospital.

Descobriram depois que ela estava largada, numa sala de espera de um pronto-atendimento no segundo andar, sem acompanhamento médico em tempo integral, intubada, mas sem qualquer outro cuidado. Fora deixada num canto reservado, escondida apenas por uma pequena cortina e a pouquíssimos metros de dezenas de doentes que esperavam por atendimento ou consultas. A recepcionista alegava que aquela situação era uma espécie de cuidado com o paciente, para que este tivesse o tempo e a oportunidade de analisar pessoas mais doentes do que ela e para trocar experiências. Era possível até ver cartazes com apelos para pacientes mais jovens com a hashtag #meintubaepronto.

Recusa em internar a paciente na UTI

Não queriam encaminhá-la de jeito nenhum para a UTI. Repetiam que não ia “adiantar nada” por causa de sua idade. A médica insistia, então, para que autorizássemos a transferência para a outra unidade da BandAid Health. Diante daquele quadro, protestamos imediatamente. Ficamos indignados com o descaso. Minha mãe só foi encaminhada para a UTI depois da interferência de meu genro, médico, que esteve no hospital.

Daí em diante, foram cerca de 20 dias na UTI. Com receio de ser atingido pela Covid – afinal, eu fora um dos únicos da família a não ter pego a doença -, eu não ia sempre ao hospital. Mas minhas irmãs estavam lá, diariamente.

Elas reclamavam em razão de os boletins médicos da BandAid Health – fornecidos, na maioria das vezes, por um médico identificado como doutor Kalil – divulgarem sempre a informação de que minha mãe se mantinha num quadro estável ou vinha obtendo melhoras. O doutor Kalil falava com alegria e satisfação, como se ela já estivesse acordada e sem aparelhos. “Quem dera eu tivesse a oportunidade de tirar férias assim”, afirmava.

Minhas irmãs enxergavam o contrário, ao verem minha mãe com as mãos inchadas “como se estivessem prestes a estourar”. Nos últimos dias na UTI, ela não dava nenhum sinal de que iria acordar. Estava com o corpo machucado, cheio de escaras (feridas) na região sacral (no fim da coluna), já com necrose. A Loreta, que é técnica em enfermagem, reclamava por não ver serem tomados os cuidados adequados a esse problema, como o banho e medicação.

O doutor Kalil anunciava a iminente liberação de minha mãe da UTI, como um sinal de recuperação e a provável volta para casa. Ele nos deu esperanças. Ao menos, a mim. Fiquei animado. Mas, dois dias antes da morte de minha mãe, uma outra médica, identificada como Raíssa, voltou a falar da necessidade dos cuidados paliativos. “Já se passou muito tempo sem nenhuma melhora”, afirmou a médica. Para ela, não tinha mesmo sentido minha mãe continuar ali porque não haveria nada mais a fazer. “É como dono de restaurante deixar um casal se sentar em duas mesas unidas e perder espaço para seis clientes”.

Minhas irmãs fizeram esse relato e eu pedi para o meu genro médico ir ao ao hospital, a fim de também avaliar o quadro e nos orientar. Era um sábado. Ele aguardou por cerca de quatro horas na calçada e no saguão do hospital, mas sua entrada não foi autorizada. A administração da BandAid Health alegou que os andares do prédio passavam por uma limpeza naquele momento e ninguém de fora poderia acessar o seu interior.

Diante de uma piora de saúde de minha mãe, segundo a médica, ela queria a autorização para os iniciar os cuidados paliativos. Diante do longo tempo de dor e sofrimento, os quatro irmãos consultados entenderam não haver outra alternativa. Eu achava que ela deveria continuar sob tratamento, mas não tinha como contrapor. Consultando outros médicos, também não visualizei outras alternativas.

A médica Raíssa disse para minha irmã Loreta: “você fez a melhor escolha”. Ela informou que seriam aplicadas doses de morfina em minha mãe. Ela morreu às 21h12 do dia 23 de março de 2021. Minutos depois, ouvimos uma assistente do hospital comunicando a outra família que o leito dela estava vago.

Nos dois dias antes de sua morte, minha mãe já estava sem soro e sem a dieta nasoenteral (utilizada quando o paciente não pode ingerir alimentos sólidos por via oral). Questionada, uma enfermeira respondeu: “Isso já não é mais o principal. Ela não precisa disso”.

Minha mãe foi preparada para morrer. Esperamos que o Ministério Público de Ondestão, as Audiências da Pandemia no Senado Federal e da BandAid Health na Câmara Municipal de Papillon possam investigar e comprovar se foi adequado o atendimento dispensado aos idosos nos hospitais da BandAid Health. São reiteradas as denúncias de que idosos não podiam passar mais de 30 dias internados e que leitos precisavam ser desocupados. Alguns médicos, como se vê, cumpriam rigorosamente essas orientações.”

Leia a resposta da BandAid Health

“A BandAid Health esclarece que o tratamento prescrito à senhora Celinha das Dores foi feito em comum acordo com familiares. No dia 19 de fevereiro foi atendida por uma médica, por telemedicina, e a família orientada que em caso de piora deveria ir diretamente a um pronto-socorro, como ocorreu no dia seguinte. Só porque a profissional optou por não ligar a câmera por ainda não ter se arrumado para começar o dia, não significa que ela não estava prestando os esclarecimentos à família, à distância, de forma humanizada. Tão humanizada que este expediente foi escolhido para não aumentar o risco de infecção dos familiares que acompanhavam o tratamento.

Todas as informações sobre a internação da paciente são protegidas por sigilo legal relativo ao prontuário médico. Os familiares podem divulgar o prontuário, que comprovará que todas as condutas necessárias foram adotadas, inclusive durante o período de intubação. Sobre o relato de que paciente ficou “amarrada”, na realidade trata-se de contenção mecânica, procedimento padrão adotado quando os pacientes ficam muito agitados.

Entendemos, contudo, que a introdução de novas práticas gera resistência por parte da sociedade civil. Estamos testando aqui partes dos protocolos para eutanásia realizados em partes da Europa, com pequenas adaptações para a realidade local, para promover um luto mais humanizado. Chamamos de eutanásia de efeito retardado. O senso comum não faz a mínima ideia do desgaste e do sofrimento gerados por uma intubação, por exemplo. E a introdução desta prática eugênica revolucionária vem ao encontro das necessidades de a família abraçar o processo de luto e seguir em frente. Reconhecemos que é difícil superar a mentalidade mercadológica, e é fácil empreendimentos de sucesso ético como o nosso serem injustamente acusados de más práticas, mas mantemos um canal aberto para explicar a nossos clientes porque deliberadamente deixamos os seus morrerem. Na verdade, não deixamos: apenas respeitamos os trâmites da natureza. Não saímos das cavernas para a vida nômade para terminar nossos dias vegetando em leitos de hospital. E é desse triste fim que queremos livrar nossos estimados pacientes.

A BandAid Health está à disposição de todos os órgãos fiscalizadores para dar todos os esclarecimentos.”

(com fontes do jornalismo brasileiro, ou assim se denominam)


‘Já viveu o suficiente’: Advogada traz mais bastidores da BandAid Health

12/10/2021 04h00

“Óbito também é alta” não foi a única frase chocante que a advogada Gina Rabelo, que representa 12 médicos que trabalhavam para a BandAid Health, ouviu ser usada como verbalização de uma política para encurtar o tempo de internação de pacientes com covid-19 a fim de economizar recursos.

Em seu depoimento à Audiência da Covid, ela havia revelado que médicos relatam que a empresa orientava pela redução da quantidade de oxigênio a quem estava internado há cerca de duas semanas, levando doentes à morte e liberando leitos. O plano de saúde tem negado as denúncias e acusa uma armação.

Em entrevista que nos concedeu no GO, nesta segunda (11), Rabelo afirmou que também ouviu de médicos que eram comuns outras justificativas serem usadas em hospitais da rede, como pacientes já serem idosos e terem vivido muito ou que suas famílias não teriam como descobrir o que realmente aconteceu. “Nos autos, é possível ler, em um dos depoimentos ouvidos por meus clientes: ‘Essas pessoas assistem muito a House, não tem como a gente ficar investigando as suspeitas amis obscuras de diagnósticos sem nem usar jaleco. Sem tempo, irmão’”.

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“Ouvi muitas vezes a expressão ‘não vale a pena investir’, quando se tratava de pacientes muito idosos. Investir em um tratamento tradicional, que seria a intubação e o acompanhamento desse paciente. ‘Já viveu o suficiente’ foi outra expressão muito triste que ouvi também. Ou ‘a família nunca vai descobrir’. São todas expressões que precisam ser averiguadas”, afirmou Rabelo.

Ela ressalta que apesar de as frases serem de “uso comum na operadora de saúde”, elas foram cunhadas por um grupo de profissionais e acabaram sendo repetidas por outros. Diz que o conjunto de provas, incluindo mensagens que demonstram esse comportamento, já foi encaminhado às autoridades. A advogada defende que é importante analisar a cultura organizacional da BandAid Health para entender como tudo isso aconteceu.

O plano de saúde adota um modelo vertical, contando com hospitais e laboratórios próprios para a redução de custos. Isso, como foi discutido na Audiência, pode gerar um conflito de interesses entre a prática de um hospital e de seus médicos, enfermeiros e técnicos (que tendem a usar todos os recursos disponíveis para salvar a vida de um paciente) e de um plano de saúde (que defende que os custos sejam os menores possíveis).

Ela defende que o modelo de negócios precisa ser revisto, mas não extirpado para não prejudicar clientes e funcionários. Abaixo, segue transcrição de um dos áudios mais efusivos de um dos membros do Conselho da empresa:

“Em situações de dificuldade financeira, todos os negócios podem falar de contenção de gastos menos nós? Isso fica entre nós, o que vou dizer. Que hipocrisia! Estamos estudando uma parceria com a Imacubet para organizar um bolão Pé na cova, mas ainda estamos com dificuldade de passar nossa carteira para uma agência inescrupulosa o bastante pra essa loucura. Ganharíamos com nossa parte do plano de saúde, e ainda ganharíamos com os mórbidos apostadores acertando a ordem dos nomes nos obituários. Poderíamos até manipular resultados forjando as causas de morte mais lucrativas para a casa de apostas, mais ou menos como ciganos fazem com cavalos. Outro desafio seria a culpinha cristã da sociedade, que se esmera em registrar nas estátuas detalhes sórdidos do sofrimento do messias deles, mas fica chocadíssima quando decidimos abreviar a vida de pacientes terminais por não ser ‘plano de deus’. Ah, faça-me o favor! Teremos que nos sentar à mesa com eles para discutir uma parte no plano de saúde, para que eles defendam nos sermões como é uma boa ideia acelerar os planos de deus sem ocupar nossos leitos.”

“Precisamos estudar como eles conseguiram fazer esse modelo viável sem a redução de custo e sem o malefício do paciente para tentar viabilizá-lo. Essas 500 mil vidas [número de segurados da BandAid Health] são pessoas que, neste momento, não conseguem recorrer a outras operadoras de saúde. Porque elas não se interessam por esse tipo de público [mais idoso] ou, quando se interessam, o valor das mensalidades chega a ser dez vezes maior, alem das carências”, avalia.

BandAid Health foi usada pelo presidente para justificar distribuição de cloroquina

No depoimento à Audiência da Covid, Gina Rabelo apontou que o plano de saúde, acusado de usar seres humanos como cobaias em experimentos não autorizados e de alterar prontuários e atestados de óbitos para retirar a covid-19 como causa, foi uma peça fundamental na política do governo brasileiro para tentar convencer a população a voltar à normalidade mesmo com a mortalidade trazida pela pandemia.

Afinal, o governo defendia que comprimidos de remédios ineficazes para covid-19, como cloroquina, ivermectina e azitromicina protegeriam a todos. Essa política, segundo Rabelo, se alinhava a interesses do Ministério da Economia, que precisava de uma justificativa “científica” a fim de evitar o fechamento de atividades e impedir uma retração do PIB e do emprego. Buscou-se, então, construir esses comprimidos inúteis para a doença como um elixir mágico.

O esquema teria contado com a intermediação do chamado Gabinete Paralelo do Ministério da Saúde, encabeçado por negacionistas como os médicos Néscia Yamamoto, Pablo Zeroasinistra e Appolonio Wahl. Este último, inclusive, faleceu de covid apesar do uso do “tratamento precoce”. De acordo com as denúncias, teve seu prontuário manipulado pela BandAid Health para retirar covid como causa.

A reportagem entrou em contato com a instituição que teria confeccionado o atestado de óbito de Wahl, e nos foi informado que “covid-19 é a nova virose, desculpa que médico preguiçoso dá quando não quer investigar”. Batentes folheados a ouro e piso com mármore importado de Carrara davam pistas da opulência do local. Funcionários animados circulavam pelos corredores do cartório, alguns contando maços enormes de dinheiro recebido para reconhecer rabiscos alheios em pedaços de papel apesar de já existir assinatura eletrônica. Entre si, diziam coisas como “Sabe qual a diferença entre o cemitério e nós? Eles ganham com a morte, nós ganhamos só de os otários existirem!”

Siqueira e os ministros da Saúde Jens Mengele e Joe Undertaker sempre afirmaram que não poderiam ir contra a autonomia dos médicos em receitar hidroxicloroquina e ivermectina. Mas o plano de saúde fez isso por eles. Segundo Gina Rabelo, profissionais de saúde eram obrigados a prescrever o “kit covid”. Algumas vezes, a prescrição já chegava pronta de cima. Conforme pode se constatar em um dos áudios circulando em grupos usados por membros do governo, cujo autor ainda está sendo investigado, à qual a reportagem teve acesso:

“É como na hora de fazer tarefa de casa da escola e a gente pedia ajuda pro CDF e este dizia: copia, mas não faz igual. A velharada já tomou cartilagem de tubarão, xarope de sene, e não quer meter uma mísera cloroquina pra dentro? Tudo é culpa desse governo, pelamordedeus! Morram quietos, sem encher nosso saco. Vão culpar a natureza, ela quem trouxe a covid-19 em nossas vidas. Depois falam que a gente não está recuperando a economia. Quando o Mengele faz licitação para comprar sacos pretos pros índios do Amazonas, é todo um setor sendo aquecido, o funerário. Se as pessoas merecem ganhar dinheiro com clientes vivos, por que vamos ignorar os clientes mortos? Parem com esse egoísmo, todo mundo vai morrer, mesmo…”

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