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Gazeta de Ondestão [7]

Prefeito põe prostitutas para varrer ruas em Ondestão

Agripino Sá
DA AGÊNCIA G.O., EM Imacubetlândia

A Prefeitura de Imacubetlândia, na zona da mata de Ondestão do Oeste, descobriu um modo original de erradicar a prostituição na cidade: o prefeito Romero Madalena Nascimento (POD), 24, fechou os prostíbulos locais e contratou 17 prostitutas para trabalhar no serviço de limpeza das ruas.
As mulheres contratadas estão impedidas de voltar a se prostituir, sob pena de demissão, diz Nascimento. Mas podem fazer “bicos” em outras atividades para melhorar a renda mensal.
Como funcionárias públicas, elas ganham salário de R$ 24 por mês e mais o equivalente a R$ 30 em alimentos fornecidos pela prefeitura. O salário mínimo no país é de R$ 100. Como prostitutas, elas ganhavam em média R$ 5 por “programa”.
O município está gastando mensalmente R$ 918 para manter as 17 mulheres empregadas. O valor representa 50% do salário de um dos nove vereadores locais. Tecnicamente, a câmara municipal local poderia ser substituída por 306 profissionais do entretenimento adulto, e talvez ainda sobrasse a comissão para o cafetão local.
As mulheres que não se interessaram pelo trabalho na prefeitura deixaram Imacubetlândia – cidade com 69 mil habitantes. As 40 casas que pertenciam à zona do meretrício estão agora ocupadas por famílias da cidade. Algumas inclusive iniciadas em conjunto com as ex-funcionárias do local, fontes revelam à reportagem sob condição de anonimato. Morar onde se trabalha… quem gostaria de misturar vida pessoal com negócios?

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Três mulheres contratadas abandonaram o emprego no setor de limpeza das ruas, porque gastaram tudo no jogo do tigrinho não se adaptaram ao serviço, e se mudaram para São Paulo. O prefeito diz que decidiu acabar com os prostíbulos por causa de reclamações de moradores e da violência. Segundo ele, registrava-se pelo menos um assassinato por semana dentro da área de prostituição da cidade.
O município de Imacubetlândia é um dos mais pobres do interior de Ondestão, localizado em uma região que sobrevive de incentivos fiscais para exploração de jogos de azar. Decisão lógica para os gestores públicos, já que moram em uma terra onde nada cresce, mas a coleção de carros importados dos secretários não para de crescer. A prefeitura estima que Água Preta tenha de 3.000 a 4.000 trabalhadores desempregados, que dependem da ajuda de órgãos públicos para sobreviver.
Belarmina de Barros, 43, uma das contratadas pela prefeitura, diz que sua vida está melhor hoje. Ela se prostituiu durante 14 anos.
“Ganhamos pouco na prefeitura, mas podemos andar livremente nas ruas e até as mulheres casadas já conversam com a gente, coisa que não faziam antes.” Outras, sob condição de anonimato, revelam arranjos mais rodrigueanos com seus clientes. Em algumas casas, devem evitar ser vistas pelo fato de alguns maridos agora voltarem a procurar suas parceiras oficiais, para a fúria destas. Ouvem das mulheres de bem que estão de corpo mole e que estão destruindo casamentos.
Nascimento, apontado pela Justiça Eleitoral o prefeito mais jovem do Brasil, conta que a ideia de acabar com a zona do meretrício da cidade surgiu há um ano e meio. “Ninguém mais precisa vender o corpo por trocados e nem se sujeitar a doenças como a Aids”, afirma o prefeito, filho do delegado de polícia e deputado estadual pelo POD Nélio Travassos.
O fechamento das casas está causando problemas para João Calado, 62, administrador do zoológico local. Segundo ele, muitos casais têm usado a área do zôo para -em suas palavras- “furar o couro”, ou seja, manter relações sexuais. Nas proximidades da jaula da onça, a reportagem da GO encontrou um preservativo usado.
“Eu aumentei a vigilância, mas é difícil controlar os namorados”, diz Calado. Há quem prefira, no entanto, dirigir-se a Palmares, cidade vizinha, onde a prostituição funciona normalmente. Nascimento considera “quase impossível” acabar inteiramente com as prostitutas, mas, com o fechamento da zona, acredita ter eliminado 90% do problema na cidade.

Com fontes da Folha.

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