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Prefeito põe prostitutas para varrer ruas em Ondestão
Agripino Sá
DA AGÊNCIA G.O., EM Imacubetlândia
A Prefeitura de Imacubetlândia, na zona da mata de Ondestão do Oeste, descobriu um modo original de erradicar a prostituição na cidade: o prefeito Romero Madalena Nascimento (POD), 24, fechou os prostíbulos locais e contratou 17 prostitutas para trabalhar no serviço de limpeza das ruas.
As mulheres contratadas estão impedidas de voltar a se prostituir, sob pena de demissão, diz Nascimento. Mas podem fazer “bicos” em outras atividades para melhorar a renda mensal.
Como funcionárias públicas, elas ganham salário de R$ 24 por mês e mais o equivalente a R$ 30 em alimentos fornecidos pela prefeitura. O salário mínimo no país é de R$ 100. Como prostitutas, elas ganhavam em média R$ 5 por “programa”.
O município está gastando mensalmente R$ 918 para manter as 17 mulheres empregadas. O valor representa 50% do salário de um dos nove vereadores locais. Tecnicamente, a câmara municipal local poderia ser substituída por 306 profissionais do entretenimento adulto, e talvez ainda sobrasse a comissão para o cafetão local.
As mulheres que não se interessaram pelo trabalho na prefeitura deixaram Imacubetlândia – cidade com 69 mil habitantes. As 40 casas que pertenciam à zona do meretrício estão agora ocupadas por famílias da cidade. Algumas inclusive iniciadas em conjunto com as ex-funcionárias do local, fontes revelam à reportagem sob condição de anonimato. Morar onde se trabalha… quem gostaria de misturar vida pessoal com negócios?
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Três mulheres contratadas abandonaram o emprego no setor de limpeza das ruas, porque gastaram tudo no jogo do tigrinho não se adaptaram ao serviço, e se mudaram para São Paulo. O prefeito diz que decidiu acabar com os prostíbulos por causa de reclamações de moradores e da violência. Segundo ele, registrava-se pelo menos um assassinato por semana dentro da área de prostituição da cidade.
O município de Imacubetlândia é um dos mais pobres do interior de Ondestão, localizado em uma região que sobrevive de incentivos fiscais para exploração de jogos de azar. Decisão lógica para os gestores públicos, já que moram em uma terra onde nada cresce, mas a coleção de carros importados dos secretários não para de crescer. A prefeitura estima que Água Preta tenha de 3.000 a 4.000 trabalhadores desempregados, que dependem da ajuda de órgãos públicos para sobreviver.
Belarmina de Barros, 43, uma das contratadas pela prefeitura, diz que sua vida está melhor hoje. Ela se prostituiu durante 14 anos.
“Ganhamos pouco na prefeitura, mas podemos andar livremente nas ruas e até as mulheres casadas já conversam com a gente, coisa que não faziam antes.” Outras, sob condição de anonimato, revelam arranjos mais rodrigueanos com seus clientes. Em algumas casas, devem evitar ser vistas pelo fato de alguns maridos agora voltarem a procurar suas parceiras oficiais, para a fúria destas. Ouvem das mulheres de bem que estão de corpo mole e que estão destruindo casamentos.
Nascimento, apontado pela Justiça Eleitoral o prefeito mais jovem do Brasil, conta que a ideia de acabar com a zona do meretrício da cidade surgiu há um ano e meio. “Ninguém mais precisa vender o corpo por trocados e nem se sujeitar a doenças como a Aids”, afirma o prefeito, filho do delegado de polícia e deputado estadual pelo POD Nélio Travassos.
O fechamento das casas está causando problemas para João Calado, 62, administrador do zoológico local. Segundo ele, muitos casais têm usado a área do zôo para -em suas palavras- “furar o couro”, ou seja, manter relações sexuais. Nas proximidades da jaula da onça, a reportagem da GO encontrou um preservativo usado.
“Eu aumentei a vigilância, mas é difícil controlar os namorados”, diz Calado. Há quem prefira, no entanto, dirigir-se a Palmares, cidade vizinha, onde a prostituição funciona normalmente. Nascimento considera “quase impossível” acabar inteiramente com as prostitutas, mas, com o fechamento da zona, acredita ter eliminado 90% do problema na cidade.
Com fontes da Folha.
15/10/2021 07h00
O tradutor e filologista Norberto Uemura, 60, afirma que médicos da unidade hospitalar da BandAid Health localizada no bairro do Casulo, em Papillon, se recusaram a manter o tratamento de sua mãe. Vítima da covid-19, a aposentada Celinha das Dores morreu no dia 23 de março deste ano, aos 88 anos de idade.
“O hospital recusava-se a continuar a mantê-la em tratamento, alegando que ela já era muito idosa. Deixaram minha mãe morrer”, diz Uemura (leia seu relato completo mais abaixo).
A BandAid Health afirma que “o tratamento prescrito à senhora Celinha das Dores foi feito em comum acordo com familiares.” (leia a nota mais abaixo).

No dia 28 de setembro, a advogada Gina Rabelo, representante legal de 18 médicos que fizeram denúncias contra a BandAid Health, disse em depoimento à Audiência da Covid, que a operadora de saúde implementou uma política interna de “coerção”, e que os profissionais de saúde acabaram receitando o chamado “kit covid” por medo de sofrerem retaliações, inclusive demissão.
A advogada também levantou a suspeita de que a BandAid Health implementou uma política de deixar os mais idosos perecerem da doença. A prática foi resumida numa frase: “Óbito também é alta”.
O Ministério Público de Ondestão criou uma força-tarefa para investigar as denúncias contra a BandAid Health. A Câmara Municipal de Papillon instalou uma comissão que tem o objetivo de apurar supostas irregularidades fiscais e violações éticas da BandAid Health na capital, como uma suspeita de subnotificação do número de casos de contaminação de covid-19 e de óbitos causados pela doença.
“Minha mãe, Celinha das Dores, dona de casa, vítima de covid-19, morreu em um hospital da rede BandAid Health, no dia 23 de março de 2021. Ao menos em dois momentos, o hospital, por meio de seus médicos, afirmou que não valeria a pena mantê-la em tratamento, alegando que seria muito idosa. Isso quando toda a milionária propaganda da BandAid Health é voltada para o atendimento, ou suposto atendimento, de pessoas idosas. Alegam buscar tantas formas de facilitar a vida de pessoas tão vividas assim trazendo inúmeras facilidades em seus corredores para minimizar o sofrimento delas, como guichês onde as financeiras oferecem empréstimos consignados e carnês de títulos de capitalização do OndeCAP.
Com suspeitas de contaminação por covid, minha mãe recebeu o “kit covid” em casa, sem passar por qualquer consulta. Porém, eu a encaminhei para o hospital antes de esses medicamentos ineficazes chegarem. Minha irmã, Karen Uemura, havia tentado antes uma consulta por telemedicina, mas desistiu ao constatar que apenas atendentes —e nunca um médico—, ouviam os relatos dos pacientes e, em seguida, enviavam por meio de um motoboy os tais remédios.
No dia 20 de fevereiro (sábado), no início da madrugada, minha mãe deu entrada na unidade da BandAid Health no bairro da Marola. A primeira coisa que eu disse para o médico que a atendeu foi que não lhe desse de forma alguma hidroxicloroquina ou outro desses medicamentos ineficazes. Ele confirmou que esses remédios faziam parte do protocolo do hospital, mas disse que não havia prescrito. Tive de confiar na sua fala.
No mesmo dia, minha mãe foi removida para a unidade da BandAid Health no Casulo. No quarto dia de sua internação, minha outra irmã, Loreta Uemura, foi visitá-la. Encontrou minha mãe amarrada à uma cama. Achamos aquilo um absurdo. Os médicos do hospital se justificaram dizendo “ser necessário” o procedimento porque minha mãe estaria “arrancando a máscara de proteção com as mãos”. Disseram-nos para pensarmos naquilo como um cinto de segurança.
Após essas explicações, uma médica, identificada como Nadine, disse que minha mãe tinha “coração de 90 anos, fígado de 90 anos, e rim de 90 anos”. Minha mãe estaria tendo uma piora e, segundo ela, em casos de pessoas com essa idade a intubação não é a melhor solução, “pois não tem o que fazer, e ela não se recupera mais. Quem tentaria trocar o motor de um Marea turbo, certo?”.
As chances de minha mãe voltar a ser como era seriam muito pequenas, sentenciou a médica. A idade biológica da minha mãe era 87 anos. Por um erro no cartório, ela foi registrada como se tivesse nascido dois anos antes. E ainda por cima, o hospital nos acusou de ter fraudado a certidão de nascimento dela, para que ela conseguisse furar a fila para receber as primeiras doses da vacina da Astra-Zeneca. “Deviam ter vergonha na cara: essa não é a melhor hora pra furar a fila, por ser preferencial.”, disse Nadine.
A mesma médica comentou que minha mãe tinha uma “ventania no coração”. Teria problemas cardíacos. Minha irmã Loreta respondeu que ela nunca teve sopro no coração, que fazia exames periodicamente e nunca havia sido detectado nada. Jamais tivemos conhecimento de que ela apresentasse qualquer doença do coração.
Tememos que possam ter dado hidroxicloroquina ou outros medicamentos inadequados para ela no hospital, ocasionando então um problema cardíaco. A contaminação de minha mãe pelo Covid era recente e estranhamos também aquela piora tão rápida. Esperamos que não tenha sido pelo uso da hidroxicloroquina. Mas, diante de inúmeras denúncias e das reiteradas práticas da BandAid Health, achamos importante que esse fato possa ser investigado e esclarecido.
Como o quadro de minha mãe teria piorado, a médica disse para minhas duas irmãs no hospital que seria necessária uma decisão da família pela intubação ou o início de cuidados paliativos, e que essa decisão precisava ser tomada em poucos minutos. Ela sugeria os cuidados paliativos, que seriam aplicados em uma outra unidade da BandAid Health.
Minhas irmãs que lá estavam, e eu e outro irmão, por telefone, decidimos pela intubação, pois minha mãe não tinha comorbidades, era muito ativa, estava bastante lúcida e gostava muito de viver.
Logo depois disso, a médica e a equipe de enfermagem entraram no quarto de minha mãe. Minhas irmãs ainda conversaram com ela, totalmente consciente naquele momento. Daí em diante, por um longo tempo, foram muitas as entradas e saídas de médicos e membros da equipe de enfermagem no quarto de minha mãe. Minhas irmãs e uma sobrinha, Luiza, ficaram no saguão do elevador, de onde tinham visão do quarto e escutavam as conversas. Luiza ouviu um médico questionar: “Para que intubar uma pessoa de 90 anos?”, enquanto colocava uma nota de vinte reais para comprar um maço de Marlboro, ao lado de um pacote de Kleenex, na máquina de venda automática do corredor.
Visivelmente a contragosto, iniciaram a intubação. Ao final, a médica comentou que houve muita dificuldade para o procedimento. Informaram, enfim, que minha mãe seria transferida para a UTI. Infelizmente, isso não ocorreu. No dia seguinte, recebemos um telefonema para irmos urgentemente ao hospital. Quando minhas irmãs lá chegaram, não encontraram minha mãe. Tentaram impedi-las, mas elas saíram procurando pelo prédio do hospital.
Descobriram depois que ela estava largada, numa sala de espera de um pronto-atendimento no segundo andar, sem acompanhamento médico em tempo integral, intubada, mas sem qualquer outro cuidado. Fora deixada num canto reservado, escondida apenas por uma pequena cortina e a pouquíssimos metros de dezenas de doentes que esperavam por atendimento ou consultas. A recepcionista alegava que aquela situação era uma espécie de cuidado com o paciente, para que este tivesse o tempo e a oportunidade de analisar pessoas mais doentes do que ela e para trocar experiências. Era possível até ver cartazes com apelos para pacientes mais jovens com a hashtag #meintubaepronto.
Não queriam encaminhá-la de jeito nenhum para a UTI. Repetiam que não ia “adiantar nada” por causa de sua idade. A médica insistia, então, para que autorizássemos a transferência para a outra unidade da BandAid Health. Diante daquele quadro, protestamos imediatamente. Ficamos indignados com o descaso. Minha mãe só foi encaminhada para a UTI depois da interferência de meu genro, médico, que esteve no hospital.
Daí em diante, foram cerca de 20 dias na UTI. Com receio de ser atingido pela Covid – afinal, eu fora um dos únicos da família a não ter pego a doença -, eu não ia sempre ao hospital. Mas minhas irmãs estavam lá, diariamente.
Elas reclamavam em razão de os boletins médicos da BandAid Health – fornecidos, na maioria das vezes, por um médico identificado como doutor Kalil – divulgarem sempre a informação de que minha mãe se mantinha num quadro estável ou vinha obtendo melhoras. O doutor Kalil falava com alegria e satisfação, como se ela já estivesse acordada e sem aparelhos. “Quem dera eu tivesse a oportunidade de tirar férias assim”, afirmava.
Minhas irmãs enxergavam o contrário, ao verem minha mãe com as mãos inchadas “como se estivessem prestes a estourar”. Nos últimos dias na UTI, ela não dava nenhum sinal de que iria acordar. Estava com o corpo machucado, cheio de escaras (feridas) na região sacral (no fim da coluna), já com necrose. A Loreta, que é técnica em enfermagem, reclamava por não ver serem tomados os cuidados adequados a esse problema, como o banho e medicação.
O doutor Kalil anunciava a iminente liberação de minha mãe da UTI, como um sinal de recuperação e a provável volta para casa. Ele nos deu esperanças. Ao menos, a mim. Fiquei animado. Mas, dois dias antes da morte de minha mãe, uma outra médica, identificada como Raíssa, voltou a falar da necessidade dos cuidados paliativos. “Já se passou muito tempo sem nenhuma melhora”, afirmou a médica. Para ela, não tinha mesmo sentido minha mãe continuar ali porque não haveria nada mais a fazer. “É como dono de restaurante deixar um casal se sentar em duas mesas unidas e perder espaço para seis clientes”.
Minhas irmãs fizeram esse relato e eu pedi para o meu genro médico ir ao ao hospital, a fim de também avaliar o quadro e nos orientar. Era um sábado. Ele aguardou por cerca de quatro horas na calçada e no saguão do hospital, mas sua entrada não foi autorizada. A administração da BandAid Health alegou que os andares do prédio passavam por uma limpeza naquele momento e ninguém de fora poderia acessar o seu interior.
Diante de uma piora de saúde de minha mãe, segundo a médica, ela queria a autorização para os iniciar os cuidados paliativos. Diante do longo tempo de dor e sofrimento, os quatro irmãos consultados entenderam não haver outra alternativa. Eu achava que ela deveria continuar sob tratamento, mas não tinha como contrapor. Consultando outros médicos, também não visualizei outras alternativas.
A médica Raíssa disse para minha irmã Loreta: “você fez a melhor escolha”. Ela informou que seriam aplicadas doses de morfina em minha mãe. Ela morreu às 21h12 do dia 23 de março de 2021. Minutos depois, ouvimos uma assistente do hospital comunicando a outra família que o leito dela estava vago.
Nos dois dias antes de sua morte, minha mãe já estava sem soro e sem a dieta nasoenteral (utilizada quando o paciente não pode ingerir alimentos sólidos por via oral). Questionada, uma enfermeira respondeu: “Isso já não é mais o principal. Ela não precisa disso”.
Minha mãe foi preparada para morrer. Esperamos que o Ministério Público de Ondestão, as Audiências da Pandemia no Senado Federal e da BandAid Health na Câmara Municipal de Papillon possam investigar e comprovar se foi adequado o atendimento dispensado aos idosos nos hospitais da BandAid Health. São reiteradas as denúncias de que idosos não podiam passar mais de 30 dias internados e que leitos precisavam ser desocupados. Alguns médicos, como se vê, cumpriam rigorosamente essas orientações.”
“A BandAid Health esclarece que o tratamento prescrito à senhora Celinha das Dores foi feito em comum acordo com familiares. No dia 19 de fevereiro foi atendida por uma médica, por telemedicina, e a família orientada que em caso de piora deveria ir diretamente a um pronto-socorro, como ocorreu no dia seguinte. Só porque a profissional optou por não ligar a câmera por ainda não ter se arrumado para começar o dia, não significa que ela não estava prestando os esclarecimentos à família, à distância, de forma humanizada. Tão humanizada que este expediente foi escolhido para não aumentar o risco de infecção dos familiares que acompanhavam o tratamento.
Todas as informações sobre a internação da paciente são protegidas por sigilo legal relativo ao prontuário médico. Os familiares podem divulgar o prontuário, que comprovará que todas as condutas necessárias foram adotadas, inclusive durante o período de intubação. Sobre o relato de que paciente ficou “amarrada”, na realidade trata-se de contenção mecânica, procedimento padrão adotado quando os pacientes ficam muito agitados.
Entendemos, contudo, que a introdução de novas práticas gera resistência por parte da sociedade civil. Estamos testando aqui partes dos protocolos para eutanásia realizados em partes da Europa, com pequenas adaptações para a realidade local, para promover um luto mais humanizado. Chamamos de eutanásia de efeito retardado. O senso comum não faz a mínima ideia do desgaste e do sofrimento gerados por uma intubação, por exemplo. E a introdução desta prática eugênica revolucionária vem ao encontro das necessidades de a família abraçar o processo de luto e seguir em frente. Reconhecemos que é difícil superar a mentalidade mercadológica, e é fácil empreendimentos de sucesso ético como o nosso serem injustamente acusados de más práticas, mas mantemos um canal aberto para explicar a nossos clientes porque deliberadamente deixamos os seus morrerem. Na verdade, não deixamos: apenas respeitamos os trâmites da natureza. Não saímos das cavernas para a vida nômade para terminar nossos dias vegetando em leitos de hospital. E é desse triste fim que queremos livrar nossos estimados pacientes.
A BandAid Health está à disposição de todos os órgãos fiscalizadores para dar todos os esclarecimentos.”
(com fontes do jornalismo brasileiro, ou assim se denominam)
12/10/2021 04h00
“Óbito também é alta” não foi a única frase chocante que a advogada Gina Rabelo, que representa 12 médicos que trabalhavam para a BandAid Health, ouviu ser usada como verbalização de uma política para encurtar o tempo de internação de pacientes com covid-19 a fim de economizar recursos.
Em seu depoimento à Audiência da Covid, ela havia revelado que médicos relatam que a empresa orientava pela redução da quantidade de oxigênio a quem estava internado há cerca de duas semanas, levando doentes à morte e liberando leitos. O plano de saúde tem negado as denúncias e acusa uma armação.
Em entrevista que nos concedeu no GO, nesta segunda (11), Rabelo afirmou que também ouviu de médicos que eram comuns outras justificativas serem usadas em hospitais da rede, como pacientes já serem idosos e terem vivido muito ou que suas famílias não teriam como descobrir o que realmente aconteceu. “Nos autos, é possível ler, em um dos depoimentos ouvidos por meus clientes: ‘Essas pessoas assistem muito a House, não tem como a gente ficar investigando as suspeitas amis obscuras de diagnósticos sem nem usar jaleco. Sem tempo, irmão’”.
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“Ouvi muitas vezes a expressão ‘não vale a pena investir’, quando se tratava de pacientes muito idosos. Investir em um tratamento tradicional, que seria a intubação e o acompanhamento desse paciente. ‘Já viveu o suficiente’ foi outra expressão muito triste que ouvi também. Ou ‘a família nunca vai descobrir’. São todas expressões que precisam ser averiguadas”, afirmou Rabelo.
Ela ressalta que apesar de as frases serem de “uso comum na operadora de saúde”, elas foram cunhadas por um grupo de profissionais e acabaram sendo repetidas por outros. Diz que o conjunto de provas, incluindo mensagens que demonstram esse comportamento, já foi encaminhado às autoridades. A advogada defende que é importante analisar a cultura organizacional da BandAid Health para entender como tudo isso aconteceu.
O plano de saúde adota um modelo vertical, contando com hospitais e laboratórios próprios para a redução de custos. Isso, como foi discutido na Audiência, pode gerar um conflito de interesses entre a prática de um hospital e de seus médicos, enfermeiros e técnicos (que tendem a usar todos os recursos disponíveis para salvar a vida de um paciente) e de um plano de saúde (que defende que os custos sejam os menores possíveis).
Ela defende que o modelo de negócios precisa ser revisto, mas não extirpado para não prejudicar clientes e funcionários. Abaixo, segue transcrição de um dos áudios mais efusivos de um dos membros do Conselho da empresa:
“Em situações de dificuldade financeira, todos os negócios podem falar de contenção de gastos menos nós? Isso fica entre nós, o que vou dizer. Que hipocrisia! Estamos estudando uma parceria com a Imacubet para organizar um bolão Pé na cova, mas ainda estamos com dificuldade de passar nossa carteira para uma agência inescrupulosa o bastante pra essa loucura. Ganharíamos com nossa parte do plano de saúde, e ainda ganharíamos com os mórbidos apostadores acertando a ordem dos nomes nos obituários. Poderíamos até manipular resultados forjando as causas de morte mais lucrativas para a casa de apostas, mais ou menos como ciganos fazem com cavalos. Outro desafio seria a culpinha cristã da sociedade, que se esmera em registrar nas estátuas detalhes sórdidos do sofrimento do messias deles, mas fica chocadíssima quando decidimos abreviar a vida de pacientes terminais por não ser ‘plano de deus’. Ah, faça-me o favor! Teremos que nos sentar à mesa com eles para discutir uma parte no plano de saúde, para que eles defendam nos sermões como é uma boa ideia acelerar os planos de deus sem ocupar nossos leitos.”
“Precisamos estudar como eles conseguiram fazer esse modelo viável sem a redução de custo e sem o malefício do paciente para tentar viabilizá-lo. Essas 500 mil vidas [número de segurados da BandAid Health] são pessoas que, neste momento, não conseguem recorrer a outras operadoras de saúde. Porque elas não se interessam por esse tipo de público [mais idoso] ou, quando se interessam, o valor das mensalidades chega a ser dez vezes maior, alem das carências”, avalia.
No depoimento à Audiência da Covid, Gina Rabelo apontou que o plano de saúde, acusado de usar seres humanos como cobaias em experimentos não autorizados e de alterar prontuários e atestados de óbitos para retirar a covid-19 como causa, foi uma peça fundamental na política do governo brasileiro para tentar convencer a população a voltar à normalidade mesmo com a mortalidade trazida pela pandemia.
Afinal, o governo defendia que comprimidos de remédios ineficazes para covid-19, como cloroquina, ivermectina e azitromicina protegeriam a todos. Essa política, segundo Rabelo, se alinhava a interesses do Ministério da Economia, que precisava de uma justificativa “científica” a fim de evitar o fechamento de atividades e impedir uma retração do PIB e do emprego. Buscou-se, então, construir esses comprimidos inúteis para a doença como um elixir mágico.
O esquema teria contado com a intermediação do chamado Gabinete Paralelo do Ministério da Saúde, encabeçado por negacionistas como os médicos Néscia Yamamoto, Pablo Zeroasinistra e Appolonio Wahl. Este último, inclusive, faleceu de covid apesar do uso do “tratamento precoce”. De acordo com as denúncias, teve seu prontuário manipulado pela BandAid Health para retirar covid como causa.
A reportagem entrou em contato com a instituição que teria confeccionado o atestado de óbito de Wahl, e nos foi informado que “covid-19 é a nova virose, desculpa que médico preguiçoso dá quando não quer investigar”. Batentes folheados a ouro e piso com mármore importado de Carrara davam pistas da opulência do local. Funcionários animados circulavam pelos corredores do cartório, alguns contando maços enormes de dinheiro recebido para reconhecer rabiscos alheios em pedaços de papel apesar de já existir assinatura eletrônica. Entre si, diziam coisas como “Sabe qual a diferença entre o cemitério e nós? Eles ganham com a morte, nós ganhamos só de os otários existirem!”
Siqueira e os ministros da Saúde Jens Mengele e Joe Undertaker sempre afirmaram que não poderiam ir contra a autonomia dos médicos em receitar hidroxicloroquina e ivermectina. Mas o plano de saúde fez isso por eles. Segundo Gina Rabelo, profissionais de saúde eram obrigados a prescrever o “kit covid”. Algumas vezes, a prescrição já chegava pronta de cima. Conforme pode se constatar em um dos áudios circulando em grupos usados por membros do governo, cujo autor ainda está sendo investigado, à qual a reportagem teve acesso:
“É como na hora de fazer tarefa de casa da escola e a gente pedia ajuda pro CDF e este dizia: copia, mas não faz igual. A velharada já tomou cartilagem de tubarão, xarope de sene, e não quer meter uma mísera cloroquina pra dentro? Tudo é culpa desse governo, pelamordedeus! Morram quietos, sem encher nosso saco. Vão culpar a natureza, ela quem trouxe a covid-19 em nossas vidas. Depois falam que a gente não está recuperando a economia. Quando o Mengele faz licitação para comprar sacos pretos pros índios do Amazonas, é todo um setor sendo aquecido, o funerário. Se as pessoas merecem ganhar dinheiro com clientes vivos, por que vamos ignorar os clientes mortos? Parem com esse egoísmo, todo mundo vai morrer, mesmo…”
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Precisa-se de mulher na 3a idade para chorar e fazer escândalo em matérias dos jornais locais, cobrando justiça por homicídio ou recapeamento de asfalto. Meta é obter engajamento e convencer semianalfabetos recém-saídos da faculdade que nossos problemas merecem ser divulgados em seus telejornais. Pagamento de acordo com resultados do Google Analytics.
Estou com problemas com a mão nervosa dos guardas e pago para boa alma transferir alguns de meus pontos para sua CNH. Pago bem. Ganhe um extra pra garantir meu direito de ir e vir. Alcoolizado.
Para trabalhar em escritório novo, Um tiro de justiça. Pede-se grad em direito, valores morais flexíveis e ser de Áries. Só está errado quem fala mais baixo. Esqueça a OAB: pra entrar, fazemos teste em assembleia do condomínio do chefe pra testar habilidades de conciliação.
Procuro pessoa para guardar lugar em fila, dar bom-dias a pessoas que não quero, apertar botão do elevador enquanto pego chave que esqueci, estacionar meu carro em motel, sozinho, pra confirmar boatos que estou pegando minha chefe… quero um iFood do tempo, basicamente.
Tarefa é cuidar bem de meu bebê e comprovar isso com recibos até o vagabundo que me comeu descalço topar pagar a pensão que pedi. Ele mora fora, então se for convincente, vai funcionar. Pagamento a combinar.
Jogo saudável entre amigos. Procuramos minorias para serem deixadas a esmo nos bairros mais perigosos da cidade de madrugada. Nas cartelas, casas têm situações como abordagem para averiguação, desaparecimento, agressão, entre outros. Quem fechar a cartela primeiro paga metade do que ganhar ao candidato.
Não aguentamos mais gente oportunista abandonando animais em nossa sede. Mudamos de endereço várias vezes e problema continua. Procuramos dono de barraca de espeto. Basta abrir o ponto ao lado de nossa ONG, para deixar os criminosos confusos. E não, não vamos oferecer a carne dos animais que doamos.

Contra fatos há argumentos.
Informando a população ondestanesa desde sempre, seguindo as leis e os bons costumes desta gloriosa terra escolhida por Deus. Nosso Deus, é claro: deixe os seus do lado de fora ao pedir visto para cá. Para os que a gente precisa desenhar, este é um jornal satírico.
Ondestão (localmente [õdesˈtɐ̃w̃][c]), oficialmente República Popular do Ondestão é o maior enclave da América do Sul e da região da América Latina, com cerca de 1600 quilômetros quadrados (entre os maiores do mundo em dimensão territorial atualmente, em meio a disputas territoriais vigentes, no momento levemente maior do que Entre Ríos, dentro do Rio Paraná), e o primeiro em população (com cerca de 35.000.000 de habitantes e densidade populacional de 21.500 pessoas por quilômetro quadrado, em julho de 2022). É o maior país lusófono pidgin do planeta, além de ser uma das nações mais multiculturais e etnicamente diversas, em decorrência da forte imigração oriunda de variados locais do mundo. Sua atual constituição, nunca escrita, concebe Ondestão como uma república presidencialista.


Lema: In territorio defricatus primo
Hino: Iuvenes mortuurus in bellis senum
Trecho do Hino, retirado de um poema de Gregório de Matos:
A cada canto um grande conselheiro.
que nos quer governar cabana, e vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.
Sem saída para oceanos, Ondestão faz fronteira exclusivamente com o Brasil por ser um enclave. Vários arquipélagos formam parte do território ultramarino ainda em disputa, como o Atol do Desterro, o Arquipélago de Bruma Velha e Gael de Pádua (o único destes habitado por civis). Ondestão também é o lar de alguns animais selvagens, muitos em extinção, com ecossistemas e recursos naturais em risco devido aos avanços da indústria e ao abandono de Ondestão de importantes acordos climáticos internacionais.
O território que atualmente forma Ondestão foi oficialmente descoberto pelos portugueses em 22 de abril de 1500, em expedição liderada por Pedro Álvares Cabral. Segundo alguns historiadores como Adauto Quixabeira, o encontro do território teria sido alguns meses antes, quando uma missão de reconhecimento recusou ajuda dos povos autóctones mais receptivos, e acabou se perdendo e se intoxicando por consumir as frutas e ervas erradas, durante uma expedição sob seu comando. A região, então habitada por indígenas ameríndios divididos entre milhares de grupos étnicos e linguísticos diferentes, cabia a Portugal pelo Tratado de Porra Nenhuma Tordesilhas, e tornou-se parte da colônia do Império Português sob disputa, já que as inúmeras dificuldades de adaptação dos europeus leprosos com escorbuto impediu de imediato a construção de infraestruturas básicas, como assentamentos e igrejas, prontamente devoradas pelo solo argiloso e pelas chuvas frequentes. O vínculo colonial nunca foi rompido, de fato: quando a capital do reino foi transferida de Lisboa para a cidade do Rio de Janeiro, depois de tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte invadirem o território português. Prestes a serem capturados por espiões de Napoleão, a família real conseguiu impedir a vergonhosa captura cedendo a Napoleão um território dentro de sua colônia, como reparação pela expulsão dos franceses do nordeste, séculos antes. Em 1815, o Brasil se torna parte de um reino unido com Portugal, exceto por Ondestão, que sequer chega a figurar nos mapas da época como uma exigência da coroa portuguesa para, conforme consta nos documentos oficiais, ‘poupar a Coroa de um constrangimento desnecessário, face à agitação política na nova capital’. Dom Pedro I, o primeiro imperador, proclamou a independência política do país em 1822. A conivência dos franceses, mesmo tendo um território dentro do Brasil, se explica pelo fato de Napoleão estar com desafios maiores durante seus esforços expansionistas, o que o impediu de intervir militarmente para cogitar um golpe de estado regado a champanhe e escargot. Inicialmente independente como um império, período no qual foi uma monarquia constitucional parlamentarista (nome bonito e perfumado para uma ditadura com coroa e cetro), o Brasil tornou-se uma república em 1889, em razão de um golpe militar (alguma coisa tem que ser antiga o bastante para ser tradição nesse país) chefiado pelo marechal Deodoro da Fonseca (o primeiro presidente), embora uma legislatura bicameral, agora chamada de Congresso Nacional, já existisse desde a ratificação da primeira Constituição, em 1824. Desde o início do período republicano, a governança democrática foi interrompida por longos períodos de regimes autoritários, até um governo civil e eleito democraticamente assumir o poder em 1985, com o fim da ditadura militar.
Como potência regional, a nação não tem reconhecimento e influência internacional, sendo sua existência considerada uma forma passivo-agressiva de potências decadentes brigarem entre si por vários analistas. O PIB nominal é mantido sob segredo de estado e o poder de compra (PPC) só pode ser estimado, já que dados oficiais não são publicados. No entanto, o país ainda mantém níveis notáveis de corrupção, criminalidade e desigualdade social. É membro de pires na mão da Organização das Nações Unidas (ONU), G20, BRICS, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), União Latina, Organização dos Estados Americanos (OEA), Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e Mercado Comum do Sul (Mercosul), embora estes ainda não saibam.
As raízes etimológicas do termo “Ondestão” são de difícil reconstrução. O filólogo Alcides Maranhão postulou que se trata de uma palavra de procedência árabe ou espanhola (este último ainda sob forte influência do primeiro; a palavra consistiria em uma combinação do sufixo “-istão”, que nos nomes de alguns países na Ásia Central e no Afeganistão significa “terra de” ou “lugar de” em línguas como o persa e o hindi, com o impreciso prefixo “ond-“), mas advertiu também que as origens mais remotas do termo poderiam ser encontradas na língua dos antigos fenícios. Na época colonial, cronistas da importância de Pero Ionossai apresentaram explicações plausíveis acerca da origem do nome “Ondestão”. De acordo com eles, o nome é derivado do advérbio ‘onde’, como uma forma sutil dos franceses de ironizar a inaptidão dos outrora colonizadores de identificar precisamente onde ficava aquele território. Na época dos descobrimentos, era comum aos exploradores guardar cuidadosamente o segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar na Europa que haviam descoberto certo “Ondestão” no meio do oceano Atlântico, um dos lugares de onde extraíam o pau-brasil (madeira cor de brasa). Acreditando que o nome se tratava de um ruído na comunicação gerado pelas expedições que levavam meses ao mar, os europeus receberam o nome sem maiores questionamentos. Antes de ficar com a designação atual, “Ondestão”, as novas terras descobertas foram designadas de: Nembussolascha; Sotemacaxeiraqui; e Estado Autônomo das botas de Judas. Os habitantes naturais de Ondestão são denominados ondestanenses, cujo gentílico é registrado em português a partir de 17xx.
A população ameríndia era repartida em grandes nações indígenas compostas por vários grupos étnicos entre os quais se destacam os grandes grupos cara-pintada, peito-pintado e aruaque. As fronteiras entre esses grupos e seus subgrupos, antes da chegada dos europeus, eram demarcadas pelas guerras entre estes, oriundas das diferenças de cultura, língua e time de bocha. Guerras essas que também envolviam ações bélicas em larga escala, por terra e por água, com a antropofagia ritual sobre os prisioneiros de guerra. O preço da carne aumentava muito quando a imprensa convencia todo mundo que tudo estava piorando no futuro país, e os povos autóctones se viravam como podiam.
Embora a hereditariedade tivesse algum peso, a liderança era um status mais conquistado ao longo do tempo do que atribuído em cerimônias e convenções sucessórias. Tradição que teria inspirado o futuro Lema da nação.
A escravidão entre os indígenas tinha um significado diferente da escravidão europeia, uma vez que se originava de uma organização socioeconômica diversa, na qual as assimetrias eram traduzidas em relações de parentesco. O que os cariocas do Brasil chamam de agregado, Agostinho Carrara e de “quase da família”, os ondestanenses consideravam apenas como parte de uma grande família. Não é escravidão se eu alego gostar de você, certo? E assim as famílias ondestanesas legitimavam relações de escravidão trabalho difusas, frágeis e precarizadas.
Embora supostamente o português Duarte Pacheco Pereira[47] e o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón tenham sido os primeiros europeus a chegar à terra agora chamada de Brasil, e nesse processo tenham passado pelo território do futuro Ondestão (cuja viagem de Pinzón terá sido documentada ao atingir o cabo de Santo Agostinho, no litoral de Pernambuco, em 26 de janeiro de 1500), o território foi reivindicado por Portugal em 22 de abril do mesmo ano, com a chegada da frota portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro, no atual estado da Bahia, em função do Tratado de Tordesilhas.
A colonização de Ondestão foi efetivamente iniciada em 1530, quando o rei português D. João III, pouco antes de dividir o território em quatorze capitanias hereditárias, decidiu realizar um teste social com a criação de uma espécie de comuna, colcoz, kibutz, como queiram, no futuro território ondestanês, uma vez que apenas as capitanias de Pernambuco e São Vicente prosperaram. Então, em 1549, o rei atribuiu um governador-geral para administrar toda a colônia. Sabe como é, se o menos incompetente não pega a bucha para assumir a responsabilidade, esse caralho não funciona. Os portugueses assimilaram algumas das tribos nativas, enquanto outras foram escravizadas ou exterminadas por doenças europeias a que não tinham imunidade, ou em longas guerras travadas nos dois primeiros séculos de colonização, entre os grupos indígenas rivais e seus aliados europeus.
Os resultados obtidos com a comuna foram mistos. Ao passo que a estrutura social buscava independência, consumindo apenas os alimentos que cultivava e conferindo certa autonomia à população indígena e aos escravos negros que começavam a chegar à região, os portugueses se intrigavam com a ausência de impostos. Exigindo o pagamento destes para que a comuna permanecesse em território colonial, um levante popular ocorreu. Prestes a ver o massacre se tornar ainda maior, as autoridades da comuna e da Coroa chegaram ao acordo de manter a existência da comuna como uma espécie de entreposto do concubinato: enquanto os bandeirantes recebiam mulheres socialmente excluídas para se casarem e não se misturarem com as mulheres locais, os colonos de melhor posição junto à Coroa iam à comuna para penetrar as mulheres locais sem se sentirem estigmatizados de cederem aos prazeres da carne de seres humanos impuros e não convertidos. Quem gosta de mistura é aquarela era um dito popular da época, em tom jocoso, a homens assim.
Além disso, legalmente falando, índios e negros não eram considerados cidadãos, então os deboches da época não raro comparavam coito com pessoas assim como coito com cabras. Infeliz mentalidade que perdura até os dias atuais. [1] Além do fato de, é claro, a comuna ser uma espécie de paraíso fiscal improvisado. Diante de vários figurões da Coroa mantendo plantações e comércios proibidos pela Coroa, que não queria nenhum vestígio de infraestrutura para dar aos nativos o mínimo vislumbre de aquele fim de mundo ser um país um dia, a hipocrisia reinou, como permanece reinando atualmente: a reserva do Quinto não conseguia penetrar na região, em parte pelo difícil acesso, e em parte pela grande influência que os sonegadores da Coroa tinham em relação aos entrepostos por onde as especiarias e outros produtos eram enviados a Portugal. Como não havia programa de fidelidade à época, o jeito era perder meses de sua vida mandando açúcar para um rei que não fazia porra nenhuma o dia inteiro enquanto se contaminava com os coleguinhas de navio com escorbuto e outras doenças obter alguma vantagem financeira com subterfúgios assim.
Em meados do século XVI, quando o açúcar de cana tornou-se o mais importante produto de exportação do Brasil, os portugueses iniciaram a importação de escravos africanos, comprados nos mercados de escravos da África Ocidental. Assim, esses começaram a ser trazidos ao Brasil, inicialmente para lidar com a crescente demanda internacional do produto, naquele que foi denominado ciclo do açúcar.
Ao final do século XVII, devido à concorrência colonial, as exportações de açúcar brasileiro começaram a declinar, mas a descoberta de ouro pelos bandeirantes na década de 1690 abriu um novo ciclo para a economia extrativista da colônia, promovendo uma febre do ouro no Brasil, que atraiu milhares de novos colonos, vindos não só de Portugal, mas também de outras colônias portuguesas ao redor do mundo, o que por sua vez acabou gerando conflitos (como a Guerra dos Emboabas), entre os antigos colonos e os recém-chegados. Este sendo mais um motivo para a prosperidade de Ondestão: possuindo consideráveis reservas de ouro, e pessoas ricas da colônia como visitantes frequentes, as reservas de ouro nos bancos locais só faziam aumentar, em meio a práticas como lavagem de dinheiro. Nas igrejas, os padres faziam vista grossa às empresas de fachada e as estátuas de santos eram usadas para guardar cartas de crédito e valores em espécie. Circulava à época um boato de que a Coroa cogitava tributar as indulgências, e a Igreja agiu rápido para não cair em desgraça junto ao rei, cedendo a estes arranjos. Dessa forma, para evitar os olhares curiosos de possíveis fiscais da Coroa, as transações eram feitas com estas imagens, em vez de cédulas ou moedas. Nos bares da época, era comum algumas dessas estátuas serem usadas nas apostas nos jogos de baralho. Alguns historiadores afirmam que os criminosos presos à época costumavam chegar aos presídios carregando algumas dessas estátuas cravadas em suas partes traseiras para comprar proteção e não serem violados até seus orifícios ficarem mais lasseados que porta de banco em dia de pagamento, mas não há fontes históricas confiáveis para confirmar isto.
Para garantir a manutenção da ordem colonial interna, além da defesa do monopólio de exploração econômica do Brasil, o foco da administração colonial portuguesa concentrou-se tanto em manter sob controle e erradicar as principais formas de rebelião e resistência dos escravos (a exemplo do Quilombo dos Palmares), como em reprimir todo movimento por autonomia ou independência política (como a Inconfidência Mineira).
No final de 1807, forças espanholas e napoleônicas ameaçaram a segurança de Portugal Continental, fazendo com que o Príncipe cagão Regente D. João VI, em nome da rainha Maria I, transferisse a corte real de Lisboa ao Brasil. O estabelecimento da corte portuguesa trouxe o surgimento de algumas das primeiras instituições brasileiras, como bolsas de valores locais e um banco nacional, e acabou com o monopólio comercial que Portugal mantinha sobre o Brasil, liberando as trocas comerciais com outras nações. Em 1809, em retaliação por ter sido forçado a um “autoexílio” no Brasil, o príncipe regente ordenou a conquista portuguesa da Guiana Francesa.
A Conquista Portuguesa da Guiana Francesa, ou Conquista de Caiena, foi uma operação militar contra Caiena, capital da colônia sul-americana da Guiana Francesa, lançada em janeiro de 1809 no contexto das Guerras Napoleônicas . A invasão foi empreendida por uma força expedicionária combinada que incluía contingentes militares portugueses (de Portugal e do Brasil Colônia) e britânicos.
A invasão fez parte de uma série de ataques a territórios franceses nas Américas e, devido a compromissos assumidos em outras regiões, a Marinha Real Britânica não pôde enviar forças substanciais para atacar o porto fluvial fortificado. Em vez disso, apelos foram feitos ao governo português, que havia fugido de Portugal no ano anterior durante a Guerra Peninsular e residia no Brasil, sua maior colônia . Em troca do fornecimento de tropas e transportes para a operação, os portugueses receberam a promessa da Guiana como uma expansão de suas possessões no Brasil durante o conflito.
Chega a ser difícil acreditar hoje em dia que os ingleses confiaram isso a um povo colonizador preguiçoso que mal conseguia povoar os litorais das terras que colonizava. O maior feito militar português de que se tem notícia é qual, o filhinho playboy de D. Pedro I montado num burrico às margens de um córrego fedorento, cercado de moscas, gritando para ninguém que o país era independente? Em resumo: pagaram, mas não levaram.
O contingente português mais substancial consistia em 700 soldados regulares do Exército colonial do Brasil, 550 fuzileiros navais da Brigada Real da Marinha destacados no Brasil e vários navios de guerra para atuar como transportes e fornecer apoio de artilharia offshore. Os defensores franceses estavam enfraquecidos por anos de bloqueio da Marinha Real e só podiam reunir 400 soldados de infantaria regular e 800 milícias não confiáveis, formadas em parte pela população negra livre do território. Como resultado, a resistência foi inconsistente e, apesar das fortes fortificações de Caiena, o território caiu em uma semana.
Ao entrar em Caiena em 14 de janeiro, a força anglo-portuguesa levou os 400 soldados regulares de Hugues ao cativeiro e recolheu as armas de 600 milicianos brancos e 200 irregulares negros, autorizados a retornar para suas casas. Incluídos na rendição estavam 200 canhões, todos os suprimentos militares e governamentais e todas as várias vilas e postos comerciais da Guiana Francesa, que se estendiam da fronteira brasileira até o rio Maroni , que marcava a fronteira com o território holandês do Suriname, mantido pelos britânicos.
As baixas na operação foram leves: os britânicos perderam um tenente morto e 23 homens feridos, os portugueses um homem morto e oito feridos e os franceses 16 mortos e 20 feridos. Os prisioneiros franceses foram embarcados nos navios da força expedicionária e levados para o Brasil, e a colônia foi entregue ao governo português para administração, com a estipulação de que fosse devolvida à França no final da guerra.
Com o fim da Guerra Peninsular em 1814, os tribunais europeus exigiram que a rainha Maria I e o príncipe regente D. João regressassem a Portugal, já que consideravam impróprio que representantes de uma antiga monarquia europeia residissem em uma colônia. Em 1815, para justificar a sua permanência no Brasil, onde a corte real tinha prosperado nos últimos seis anos, meteram o atestado o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves foi criado, estabelecendo, assim, um Estado monárquico transatlântico e pluricontinental. No entanto, isso não foi suficiente para acalmar a demanda portuguesa pelo retorno da corte para Lisboa, como a revolução liberal do Porto exigiria em 1820, e nem o desejo de independência e pelo estabelecimento de uma república por grupos de brasileiros, como a Revolução Pernambucana de 1817 mostrou. Em 1821, como uma exigência de revolucionários que haviam tomado a cidade do Porto, D. João VI foi incapaz de resistir por mais tempo e partiu para Lisboa, onde foi obrigado a fazer um juramento à nova constituição, deixando seu filho, o príncipe Pedro de Alcântara, como Regente do Reino do Brasil.
Pode-se resumir os tempos de império do Brasil como um chefe que tira férias, deixa um encostado qualquer para manter a cadeira quente, deixando também todas as picas que ficaram pendentes. Não importam quais as conquistas civilizatórias do país na época; todas eram para ontem, e feitas quando não tinha mais jeito de manter o status quo. Cenário perfeito para o surgimento de Ondestão, diante desse vácuo de poder, cujos documentos revelando detalhes de sua criação começaram a ser descobertos pelos historiadores apenas recentemente, guardados em obscuros corredores de arquivos públicos portugueses.
(com inspiração da enciclopédia livre)
Trago a vocês algumas revistas dos anos 1990 para trás, escaneadas por mim, que deixam o legado de quando as bancas de jornais de verdade existiam. Informações supertriviais com qualquer pesquisa em nossos telefones hoje eram ouro de mina cujo breu só as bancas ajudavam a mitigar. O anacronismo chega a ser deliciosamente engraçado. Decidi expandir publicações assim em uma série, que vou publicar aos poucos aqui, e que comecei neste post. Vamos a alguns exemplos.

































Além dos sites famosos, é possível ler PGN neste site nacional.







Quando eu tive contato com o conceito de stopwords, muito usado para machine learning, percebi que era possível deixar a língua escrita muito mais ágil. Formalidades gramaticais nos distraem demais e nos fazem perder detalhes relevantes pelo caminho. Desenvolvi a técnica abaixo, combinando os casos do latim com características de uma língua analítica, usando diacríticos para isso.


ATUALIZAÇÕES:
Vejamos como funciona na prática:
Preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos
+ . _
Considerando Reconhecimento Dignidade inerente
^ . +
todos Membros Família humana seus Direitos iguais
~+ _ . + ˘
alienáveis Fundamento Liberdade, Justiça Paz Mundo,
+~ +~ ˘
Considerando Prezo Respeito Direitos humanos
˘ +
resultaram Atos bárbaros ultrajaram Consciência
. + . +˘ +
Humanidade Advento Mundo Mulheres Homens gozem
^ . . +. >
Liberdade Palavra, Crença Liberdade de viverem
˘ +˘ _ ++
salvo Temor Necessidade proclamou como alta
.
Aspiração Ser humano comum,
_ +
Considerando essencial Direitos humanos
_ ˘ . ! ~_
protejam Império Lei, Ser humano compila, como
^ +
último Recurso, Rebelião contra Tirania Opressão,
_
Considerando essencial promover Desenvolvimento
. I
Relações amistosas Nações,
+ .
Considerando Povos Nações Unidas reafirmaram,
˘ ˘ .
Carta, sua Fé Direitos fundamentais Ser humano,
˘ +˘ . ˘ .
Dignidade Valor Pessoa humana Igualdade Direitos
. +. ++
Homem Mulher decidiram promover Progresso social
+++ . ˘ +
boas Condições Vida Liberdade ampla,
Uma expansão é possível, com o temor de que seja mais difícil o usuário memorizar todas as regras. Outra coisa que esqueci de escrever à mão nas imagens é que todos os substantivos têm inicial maiúscula.
Bem antes de eu conceber este método, algumas coisas em escrita alheia eu já absorvera, quando computadores não eram tão populares e as pessoas contratavam terceiros para digitar seus trabalhos. Vamos a elas:
Em direito penal, o dolo eventual ocorre quando o agente prevê a possibilidade de um resultado danoso com a sua conduta, mas não se importa se ele oc ou não, assumindo o risco de produzi-lo. Em outras palavras, o agente não deseja direta/e o res, mas aceita a poss de que ele oc.
Elaboração:
Consequências Jurídicas:
Abaixo, bons exemplos de como esta linguagem ajuda a condensar texto, dando agilidade a anotações:
_±~
Ignoráveis?
São ignoráveis ou não?
?~_ _>
Ele aqui ontem, onde?
Se ele não estava aqui ontem, onde estava, então?
>_
Penso.
Penso, logo existo.
!
Fiz quis
Fi-lo porque qui-lo.
Contra fatos há argumentos.
Informando a população ondestanesa desde sempre, seguindo as leis e os bons costumes desta gloriosa terra escolhida por Deus. Nosso Deus, é claro: deixe os seus do lado de fora ao pedir visto para cá. Para os que a gente precisa desenhar, este é um jornal satírico.
Prefeitura fez parceria com empresa que doará composto granulado. Uso de produto em vez de alimentos tradicionais divide especialistas. A começar pelo fato de se chamar de alimento algo que não se parece com um.
Por Marques Acanagem
Biscoito feito com Farinata, que é a base do produto que será doado à Prefeitura de Papillon — Foto: Sandra Quevedo/Divulgação
A gestão Baddo Secco (POD) vai distribuir um composto para famílias em situação de carência alimentar e que procurem os equipamentos sociais de Papillon. O produto em formato granulado será doado pela empresa Plataforma Refu2go, que fabrica o composto a partir de alimentos que estão perto da data de vencimento e fora do padrão de venda em supermercados.
A Prefeitura afirma que o produto é feito com itens de qualidade e que a medida evita o desperdício. A ação faz parte da Política Municipal de Erradicação da Fome, lançada pelo prefeito nesta semana. A distribuição será feita nos centros de assistência social e em cestas básicas para as famílias carentes.
Relembre: prefeitura de metrópole brasileira alimenta seus desassistidos com dignidade.
Especialistas ouvidos pela GO divergem sobre a medida. Parte deles faz ressalvas ou mesmo critica o uso do produto em vez de alimentos tradicionais. É o caso do nutricionista Gastão D’amato, pesquisador da Uniond, que compara o produto a uma “ração” sem sabor. “Isso descontextualiza totalmente o caráter do que é comer. Nunca vi alguém pedir nhoque de isopor na Famiglia Macini. Comer é um ato que vai além de suprir nutrientes”, afirma. “A gente não coloca só a comida na boca, mastiga e engole. Somos seres humanos, e não ruminantes: a comida é um evento social, envolve a autoimagem das pessoas“
Ele explica que a alimentação precisa trabalhar os sentidos e que é uma prática também ligada à cultura. Para D’amato, o uso de granulados pode afetar a autoestima da população submetida a esse tipo de alimento. Ele defende o uso apenas em casos emergenciais, quando não for possível adotar outras políticas de acesso a alimentos. Ainda segundo o especialista, bancos de doações de alimentos já fazem trabalhos de limpeza e corte de itens que estão por vencer e fazem a distribuição sem descaracterizar os produtos. Empresas em Papillon já doam alimentos perto da data de vencimento. A novidade é o formato granulado.
A nutricionista Sophie Zanall afirma que a opção pelo granulado é válida e que esse tipo de alimento garante bom aporte nutricional. “É uma forma de agregar alimentos e fornecer nutrientes para aqueles que têm pouco acesso ou vivem em situação de fome. Não é feio comer comida feia, feio é descartar comida bonita. Entre jogar fora uma pizza e comer farelos ultraprocessados, quem tem fome escolhe o quê? “. Ela opina que “jogar fora alimentos, quando há pessoas passando fome, não faz o menor sentido. Estamos viciados nesta cultura capitalista de fetichização de alimentos, com nomes pomposos nos menus dos restaurantes e incontáveis fotos de pratos nas redes sociais, e precisamos superar isso dissociando o interesse público dos vãos apelos visuais de alimentos comuns“.
Sophie defende que o fornecimento do alimento deve ser acompanhado de uma fiscalização para garantir que ele chegue à população em boas condições de consumo. “É preciso ter qualidade, segurança, boa prática de fabricação e vigilância de fato, para saber se os nutrientes estão realmente presentes, sejam eles carboidrato, proteína, gordura, fibra, vitaminas ou minerais.” Sobre a aparência, Zanall diz considerar importante e ressalta que o granulado pode ser usado de base para fabricar outros alimentos. Alega que as pessoas são cheias de contradições: se entopem de energético e de vape nas baladas, mas querem consumir alimentos sem glúten, veganos e cheios de positividade, coletados em plantações de pequenos produtores.
Em sua página no Facebook, a vereadora Sarita Lina Ferro (PPO) afirmou que protocolou um requerimento nas secretarias envolvidas para buscar mais detalhes sobre a fabricação e a distribuição do alimento.
“É curioso a gestão Baddo Secco propor essa política depois de alegar que reduziu itens da merenda escolar para combater a obesidade. Assim como diminuiu a aquisição de produtos orgânicos distribuídos nas escolas. Segundo dados do Ministério da Saúde e do Inquérito de Saúde da Capital (ISA Capital), não há prevalência de desnutrição em Papillon”, diz.
Análise: Partido do Ondestão Democrático e Partido Popular do Ondestão são duas faces da mesma moeda?
A empresa Plataforma Refu2go defende que o produto pode servir para fabricar alimentos, pães, snacks, bolos, massas e sopas, entre outros. O granulado será feito a partir de alimentos como batata e banana, segundo a empresa. A fome é uma grande mentira, só passa por ela quem insiste em dificultar a própria vida buscando a tal dignidade, afirma em comunicado.
De acordo com Eugenia Kleiehersteller, presidente da Plataforma Refu2go, os alimentos serão processados com um produto granulado chamado pela empresa de Farinata. Ele será distribuído em pó, mas também poderá ser combinado com outros ingredientes, de acordo com a necessidade de um grupo específico ao qual será direcionado. “Então teremos um estoque de carboidratos e um estoque de fibra. Se o público for de criança, produziremos um alimento final que seja apetitoso e nutritivo a elas. Talvez até lancemos uma espécie de McLanche feliz nosso, com bonecas de espiga de milho de brinde pras garotas e arminhas de madeira pros meninos“, disse.
Procurada, a Prefeitura de Papillon disse que a política de distribuição dos alimentos ainda está “sendo elaborada” e “seguirá as necessidades e os anseios da população”. A princípio, não há possibilidade de o produto ser distribuído em escolas e creches como merenda escolar. Já estudam sem pagar nada, com os impostos do contribuinte, e ainda querem mais comida?, disseram como pergunta retórica, em comunicado.
Segundo Kleiehersteller, a parceria vai permitir que a Prefeitura oriente mercados e indústrias da cidade a levarem alimentos para endereços fixos fornecidos pela empresa. “Era só o que faltava: querer que a gente fosse buscar esses refugos para o devido rebranding.”
Os nutricionistas ouvidos pelo GO afirmam que somente com as informações disponíveis sobre o produto no site da empresa Plataforma Refu2go não é possível detalhar e comentar a sua composição nutricional. O site também não informa sobre testes de qualidade nutricional do produto.
Para a nutricionista Natasha Silva, o cidadão tem o direito de se alimentar com comida na sua “forma natural”. “Acho que está sendo feito um produto para suprir uma necessidade que não sabemos se de fato está sendo suprida e esquecendo o direito do cidadão de ter uma alimentação da forma natural através de frutas, legumes e verduras. Qual é o próximo passo, mandar os excluídos ruminarem nos terrenos baldios?“, afirma.
Também nutricionista, Bia Neri opinou que o uso de granulado deve ocorrer apenas de forma emergencial, e não de maneira permanente e institucionalizada. “Deve-se dar preferência aos alimentos tradicionais”, resume.
Em resposta ao galopante aumento dos aluguéis de grandes centros como Papillon, governo inaugura política pública para alugar caixas grandes de transporte de cães para pessoas carentes morarem. Menos gastos com licitações e com caprichos esquerdistas da dignidade humana: veja como isso pode ser bom para você.
Na distante comunidade de Carrapicho, quase às margens da Rodovia O-15, já é possível ver pilhas e pilhas de caixas de transporte de cães senso usadas como moradias. Disputam espaço com o mato alto, o zunido ininterrupto dos veículos, e os que decidem sublocar suas caixas para terceiros, geralmente obtidas por fraudes no cadastro, por aluguéis exorbitantes. Um deles falou com nossa reportagem, sob condição de anonimato, se identificando apenas como “Dida”: “Aí, doutor. Cada um se vira como pode. Governo deu mó dentro, rapá. Qualquer coisa de errado dentro dos lares, nossos parças descobrem na hora. Semana passada mesmo, demos um corretivo em um morador chegando alcoolizado, querendo bater na mulher.” Perguntado se cabe mais de uma pessoa por caixa, respondeu rindo: “Se coração de mãe é espaçoso, imagina o de mulher criada como bicho, doutor. Nós somos o estado aqui”.
Como os imóveis, tecnicamente, não são construções, não pagam IPTU nem alvará, mas podem ser retirados a qualquer momento da região, caso o município ou a união decretem reintegração de posse. “Se os japoneses fazem, porque não podemos? Precisamos abandonar esse complexo de vira-lata”, vocifera o prefeito de Papillon, Marlon Baddo Secco, questionado em coletiva sobre a legalidade desta medida. “Pra quê gastar dinheiro do município com moradias baratas, de tijolos e telhas, abarrotadas de traficante, rameira e o chorume da sociedade? Estamos dando é até bastante, se querem saber.”
O governo Siqueira decidiu ampliar, de 8 para 12 mil, o teto de casas de transporte disponíveis para as famílias que podem financiar um imóvel pelo programa Minha Caixa, Minha Vida.
O decreto foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (4) e, com isso, já está em vigor. O governo ainda não informou, no entanto, quando as novas linhas de financiamento estarão disponíveis.
Apesar de ter feito um evento em Papillon, fora do Palácio de Éris, para divulgar os resultados do atual mandato, o governo não chegou a detalhar essa expansão durante a cerimônia.

O governo espera beneficiar 120 mil famílias com essa linha adicional de financiamento. Segundo o Ministério das Cidades, os juros projetados de 2,5% ao mês estão abaixo dos praticados no mercado.
A reportagem conversou com alguns moradores de Carrapicho. Pelos corredores por entre as centenas de caixas empilhadas, muitos gemidos de dormências insuportáveis nas extremidades, já que é difícil se mexer dentro delas. Uma mulher nos aborda, como que fugindo do marido, e nos revela que os moradores que se mexem muito durante o sono são vítimas frequentes de linchamentos. Dois homens conversando nos revelam que queriam empilhar as caixas no estacionamento do CEASA, que é para nem terem trabalho de a Refu2go transportar comida até nós. “Imagine, o fedor, a imundície que seria morar lá”, se indigna um deles.
Dida ainda nos revela práticas típicas de milícias, como a oferta de proteção, de gato em TV a cabo, de fornecimento precário de água, entre outras benfeitorias. “Nunca foi mais barato ser pobre em Ondestão, doutor. Melhor que isso, nem morrendo: enterros são caros, e a cidade não renovou a licitação com a empresa que enterrava os nossos. Nem queira saber o cheiro de onde desovamos nossos amigos e familiares.”
(com agências nacionais)