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Torturando dados da Olimpíadas de Paris 2024

Diante da publicação, típica de maus perdedores, de parte da mídia estadunidense do quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos, com critérios de forma a manter o precioso país deles líder no quadro de medalhas, tive uma ideia: se eu torturar os dados o bastante, eu conseguiria levar nosso país ao primeiro lugar no quadro de medalhas? Desafio aceito. Arquivo disponível ao final do post.

Para fins de economia de espaço, colocarei aqui apenas as conclusões mais interessantes que fui encontrando, conforme minhas tentativas avançavam. Em primeiro lugar, das 206 nações participantes, 92 conseguiram medalha (44,66%), e o Brasil ficou em vigésimo lugar no quadro de medalhas. Um quadro que usa os ouros como critério principal. Se uma nação tem 20 bronzes e outra tem um ouro, a última fica na frente. Esse critério gera diversas distorções, raramente favorecendo nações pequenas. Levando isso em conta, imaginei critérios diferentes.

Comecei me perguntando se o quadro mudaria substancialmente se não houvesse prioridade em relação aos ouros e apenas a quantidade total de medalhas fosse considerada. Concluí que os primeiro e segundo colocados, além de Hungria e Espanha (14. e 15. lugares), Romênia (23. lugar), Taiwan (35. lugar) e Kosovo (73. lugar) permanecem os mesmos, e o Brasil (assim como Cuba) subiria sete posições. Austrália, Japão, Holanda, Coreia do Sul, Nova Zelândia, Uzbequistão, Suécia e Quênia perderiam posições, entre os 20 primeiros. No total, 51 países perderiam posições. Os países que mais ganhariam posições (seis ou mais): Moldávia (14 posições); Lituânia (13 posições); Armênia e Colômbia (11 posições); Brasil e Cuba; Cazaquistão, Jamaica, África do Sul, Tailândia, Albânia, Granada, Malásia e Porto Rico com seis posições cada.

Foto por Karolina Kaboompics em Pexels.com

Outro critério concebido foi o de o ouro valer três bronzes e a prata valer dois bronzes. Novamente, os dois primeiros colocados permanecem iguais, assim como Espanha (15. lugar) e Geórgia (24. lugar). Do 61. lugar para frente, exceto Santa Lucia, não há alteração de posições, e o Brasil sobe seis posições. Só 26 nações perdem posições.

E se formos mais ambiciosos? Utilizando um critério demográfico, podemos calcular o percentual de atletas medalhistas em relação à população de seus países. Talvez isso até reforçasse mais o espírito olímpico, já que se levaria em conta a representatividade dos atletas diante de seus torcedores. Uma medalha para a China com certeza não tem o mesmo peso que para a ilha de Santa Lucia, quanto à representatividade, e ao ineditismo: foi a primeira medalha dessa ilha em todas as edições dos Jogos. Outra vantagem bacana desse método é que os Atletas Individuais Neutros e a Equipe Olímpica de Refugiados ficariam em primeiro e segundo lugar, respectivamente: como são equipes sem nação específica, nada mais natural que estabelecer o número 1 como população simbólica. Além disso, seria um lembrete dos conflitos pelos quais o mundo passa, e uma forma de dar mais visibilidade a esses povos sofridos. E um pouco de justiça se obteria, também: as nações líderes no quadro de medalhas possuem um número substancial de refugiados e imigrantes (às vezes ambos) em seus quadros, então nada mais justo do que dar uma dianteira a eles.

O cálculo dessa representatividade é feito usando-se a regra de três com a população total e a quantidade de medalhas. Como seria de se imaginar, esse critério beneficiaria bastante os países nanicos, com poucos países entre os 20 primeiros permanecendo nesse patamar (seis). São eles:  Atletas Individuais Neutros; Equipe Olímpica de Refugiados; Granada; Dominica; Santa Lucia; Nova Zelândia; Bahrein; Austrália; Jamaica; Holanda; Hungria; Cabo Verde; Geórgia; Croácia; Dinamarca; Noruega; Irlanda; Eslovênia; Lituânia e Armênia. O Brasil cai para a 74. posição, e os cinco países à frente dele possuem, juntos, população menor que a nossa:  Jordânia, Guatemala, Chile, África do Sul e Turquia. Os Estados Unidos ficam na 51. posição, e a China, de longe a maior prejudicada do top 20, ficaria na 79. posição. A Índia ficaria em último (caindo mais de 20 posições), mesmo tendo a segunda maior população do mundo. Critério excelente para pequenas torcidas, mas péssimo para potências esportivas emergentes.

Se até agora os critérios anteriores de classificação do quadro de medalhas pareciam polêmicos, espere até ler sobre este: a contagem de medalhas será descontada com a porcentagem de atletas que não nasceram no país cuja bandeira defendem. As grandes potências do Hemisfério Norte ficariam furiosas com esta ideia: li uma vez que, para conquistar o segundo título mundial na Copa do mundo de futebol, a França contou com mais de 80% de seu plantel formado por imigrantes africanos. Mas fazer esse cálculo referente às Olimpíadas não é tarefa fácil: o site do COI dificulta a raspagem dos dados, e mesmo a Inteligência Artificial confessa que as fontes desses dados tendem a dificultar o acesso a eles. Então, como hoje estou preguiçoso, me restrinjo a aplicar esse critério ao Brasil e aos dois líderes, apenas.

O Brasil conquistou 20 medalhas, possuindo uma delegação de 276 atletas, cinco (1,81% do total) dos quais não nasceram aqui, mas recebem o afeto que encerra em nosso peito varonil (peço desculpas pela referência patriótica fora de hora). Portanto, descontando 1,81% das 20 medalhas, temos um total de 19,638 medalhas. De acordo com este site, dos 592 atletas dos Estados Unidos, líderes do quadro de medalhas, 44 (7,83%) são imigrantes ou possuem dupla nacionalidade. Descontando esses 7,83% das 126 medalhas conquistadas, temos 116,13 medalhas para os yankees. O que ainda os mantêm na liderança: a China possui 30 atletas estrangeiros, apesar de suas regras rígidas. Dessa forma, apesar de estarmos diante de uma pequena amostra dos dados, este critério sugere que não haveria muitas mudanças no quadro de medalhas. Mas se algo assim fosse feito em eventos de futebol, a história com certeza seria outra…

E o último critério que decidi testar leva em conta uma indignação que eu sempre tive: se um atleta pode conquistar várias medalhas em modalidades como ginástica e natação, e dúzias de atletas conquistam juntos apenas uma medalha em esportes coletivos como futebol, vôlei, hóquei e handebol, por que ninguém liga para essa distorção? Para ajudar a fazer um mundo (dos esportes) melhor, decidi suar a camisa e refazer os cálculos do quadro de medalhas com a quantidade de atletas de cada modalidade coletiva. Se a medalha veio do futebol, por exemplo, multiplico essa medalha por 22 ou 23, de acordo com o plantel. E assim fiz com os outros esportes. A coluna Change indica quantas posições, em relação ao quadro original, cada nação perdeu. Quer saber o que aconteceu? Será que a união faz a força? Esquece.

Mas foi o critério que mais melhorou a posição do Brasil, subindo nove posições. Dá para subir mais?

RankNOCGSBTotalChange
1USA1264442212
2FRA5396381873
3CHN746337174-1
4GBR3351821662
5NED7126251221
6AUS334639118-2
7GER3147361143
8ITA303823911
9JPN27312684-6
10SPA391132825
11BRA42835679
12SKR27112462-4
13CAN13291456-1
14NZL2625354-3
15HUN919634-1
16NOR1814232
17SWE57416-1
18UKR664164
19UZB82313-6

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